RESENHA CRÍTICA: A Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell (Ghost In The Shell)

Se gostar faça como eu, que irei de novo à sala que tem IMAX para aproveitar seu espetacular imaginário

30/03/2017 00:59 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell (Ghost In The Shell)

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A Vigilante do Amanhã - Ghost In The Shell (Ghost In The Shell)

EUA, 2017. 1h46 min. Direção de Rupert Sanders. Roteiro de Jamie Boss baseado em historia de Masamune Shirow. Com Scarlett Johansson, Pilou Asbaek, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Danusia Samai.

Houve um polêmica na imprensa americana criticando o fato de que esta versão não tenha sido estrelada por uma atriz oriental, mas sim pela novaiorquina-judia de família dinamarquesa Scarlett Johansson, principalmente do sucesso que teve com um filme de ação um pouco semelhante que foi o delirante Lucy (14). Por isso foi feito um esforço onde ela aparece especialmente magra, com penteado a lá oriental e com um tipo de “roupa” (na falta de nome melhor) praticamente desnuda. E como direção lhe indicaram que tivesse o mínimo de reação dramática, fosse absolutamente cool, o que me pareceu muito certo e eficiente. Se bem que sou admirador de Miss Johansson que novamente enfrenta um personagem atlético de forma impressionante. E a ação não se situa especialmente no Japão, mas num lugar alegórico (vê-se a Baia de Hong Kong por exemplo). Mas em torno dela existem outros orientais começando pelo lendário Kitano (diretor, ator, escritor japonês muito premiado no exterior) que faz o importante Aramaki. Praticamente ocidentais são a francesa Juliette Binoche (sempre um prazer revê-la, agora num personagem ambíguo), o americano Michael Pitt (quase irreconhecível como Kuze) e o ambíguo Batou (o dinamarquês Pilou) que fez de forma marcante Euron Greyjoy em Game of Thrones.

Mas de tudo o que eu mais gostei foi direção de arte (Production Design, se preferirem) que é um mérito de um diretor praticamente desconhecido, britânico Rupert Sanders que antes tinha feito o médio Branca de Neve e o Caçador (12). Mas sua equipe criou novas imagens e desafios, tornando intenso e interessante o que poderia ser apenas banal. Ao menos eu mergulhei no visual e na multiplicidade de imagens, originalidade da trilha musical e de todo um espetacular visual.

A história se passa num futuro próximo onde Major (Scarlett) é a primeira de sua espécie. Uma humana salva de um tremendo desastre, que é reconstruída de forma cibernética para se tornar a perfeita soldado destinada a destruir os mais perigosos criminosos. Já que o terrorismo chegou a tal ponto que permite que eles entrem na mente das pessoas e a controlem. Mas ela descobre que também lhe mentiram, sua vida não foi salva, foi roubada. Ela não vai parar a qualquer custo tentando recuperar seu passado, saber quem são os culpados e se vingar deles.

Rodado na Nova Zelândia, em Wellington, o título do filme foi inspirado no Ghost in the Machine, uma concepção filosófica desenvolvida por Arthur Koestler, em 67, no livro do mesmo nome. Nele discute o conceito tradicional conceito cartesiano mente-corpo que tradicionalmente vê o corpo humano como uma espécie de máquina complexa com a mente ou a alma controlando-a.

Não fique ao final esperando algum extra porque eles não vão aparecer. Se gostar faça como eu, que irei de novo à sala que tem IMAX para aproveitar seu espetacular imaginário.

 

Criticas das versões japonesas do Mangá

O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell)

Japão, 1995. 82 min. Diretor: Mamoru Oshii

Sinopse: Em 2029, a Major Motoko é uma agente cibernética líder do Serviço Secreto Esquadrão Shell. Mas ela foi tão modificada que pouco mais do que seu “fantasma” sobrou em seu corpo. Junto com os parceiros o ciborgue Bateau e o quase humano Togusa, eles caçam um criminoso especialista em computadores chamado de Mestre das Marionetes. Ele é um hacker capaz de entrar na mente dos outros e comandá-los. A vida da major fica em perigo quando descobre que há por trás uma conspiração de seus superiores: o “Ministério”.

Comentário: Este foi o texto que escrevi quando vi o desenho original que estava se tornando Cult e tem agora sua versão norte-americana! Os admiradores de mangás (estilo de quadrinhos e animação japonesa) certamente conhecem este filme desde que passou na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas custou a sair aqui no Brasil direto em vídeo e DVD. A primeira vista me pareceu bastante confuso e por vezes difícil de seguir, com seu visual futurista e estilizado, meio dark, por vezes brilhante, principalmente nas cenas de ação. É animação para adultos, ou jovens que cresceram vendo animação japonesa na televisão e agora procuram temas mais sofisticados. Como este onde se questionam coisas como “quando alterar a mente de uma pessoa se torna tão fácil quanto programar um computador, o que significa ser humano?”. Teve muita influência no gênero, tendo ganho prêmios como o de Melhor Filme e Diretor no World Animation Celebration Awards, em 1997.

 

Ghost in the Shell 2: Innocence

Esperava-se muito desta continuação do já clássico “anime japonês” que tem o subtítulo de Inocência. Embora não tenha dado certo o filme anterior Del,e que passou aqui, chamado Avalon, 2001, onde tentava misturar atores com animação (mas o roteiro era fraco e o filme não funcionou). Os fãs do gênero que me perdoem, mas para mim esta foi outra decepção, não parece mais do que um vulgar episodio de série, mal narrado, com trama básica e um diálogo empolado preocupado em frases feitas e citações de Darwin, a Descartes e Confúcio. Ou seja, um tremendo blá-blá-blá que atrapalha o visual sempre interessante (particularmente em planos gerais). Ok mais que isso, bonito.

Sinopse Comentada: Em 2032, o herói é um policial cyborg, especialista em lutar contra terroristas, chamado Bateau (Otsuk) que investiga mortes misteriosas causadas por bonecas eróticas que tem explodido e provocado mortes de inocentes. Não é especialmente complicado chegar a solução do caso, sem passar por grandes choques ou cenas (e sem nada de erótico, por outro lado não falta um simpático cão de estimação). O fato é que tudo que impressionava no original, agora parece em banho-maria. O conceito do “Fantasma” (feito de partes humanas, este Frankenstein, tem vagas lembranças femininas e acaba sendo mais humano do que os próprios) funciona melhor no resumo do que na tela.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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