RESENHA CRÍTICA: Fantasma da Sicília (Sicilian Ghost Story)
Um filme sem dúvida muito especial que pode conquistar bom público
Fantasma da Sicília (Sicilian Ghost Story)
Itália, França, Suiça, 16. 125 min. Direção de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza. Inspirado na história “Un cavaliere bianco” de Marco Mancassola. Com Julia Jedlikowska, Gaetano Fernandez, Corinne Musallari, Andrea Falzone, Federico Finocchiaro, Lorenzo Curcio, Vincenzo Amato, Sabine.
O cinema italiano infelizmente já não é mais o mesmo brilhantismo de antigamente mas os fãs como nós já ficamos felizes quando aparece ocasionais sucessos como este (apesar do elenco desconhecido e trama regional), que no entanto foi premiado no recente Festival de Sundance, feito por dupla de diretores que já tinham sido premiados na Semana da Crítica de Cannes com Salvo (que era baseado no sequestro em 1993, que durou 12 anos, de Giuseppe Di Matteo, levado pela Máfia e que ficou 779 dias prisioneiro). Só que usando como referencias os lendários contos dos Irmãos Grimm (como em Labirinto de Pan).
Neste filme Luna (Julia Judikowska) vai com Giuseppe (Gaetano Fernandez) na floresta depois da escola, admirada de vê-lo brincar com borboletas. A mãe Saveria (Sabine Timoteo) e sua melhor amiga Loredana (Corinne Musalian) percebem que há bandidos da Máfia vestidos de policiais. Não é preciso passar por todo o resumo, basta dizer que o filme tem um lado surpreendente poético, retomando o mito de Persefone, e um lago que lembra onde viveu Hades. Tudo isso para lembrar vocês que o filme se passa numa floresta no verão, muito bem fotografada, que mistura gêneros (comédia, romance, policial, fantasia). Ao mesmo tempo poético, mas também com toques dramáticos e até trágicos. Um filme sem dúvida muito especial que pode conquistar bom público.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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