RESENHA CRÍTICA: A Qualquer Custo (Hell or High Water) - FILMES PARA O OSCAR E PREMIAÇÕES
Não é ruim, talvez um pouco americano demais para o atual gosto
A Qualquer Custo (Hell or High Water)
EUA, 16. 112 min. Direção de David MacKenzie. Roteiro de Taylor Sheridan. Com Jeff Bridges, Chris Pine, Dale Dickey, Ben Foster, Buck Taylor, Kristin Berg.
Embora tenha passado em branco quando estreou nos cinemas, este filme acabou sendo resgatado por alguns críticos que chegaram a ameaçar com prêmios para Jeff Bridges e mesmo para o diretor. Na verdade, não é ruim, talvez um pouco americano demais para o atual gosto. Jeff esta se repetindo desde que levou o Oscar, fazendo boca mole e jeitão de caipira, aqui no papel de um velho xerife do deserto do Texas, que ajuda a investigar uma serie de assaltos a bancos, realizados por uma dupla de irmãos, um completamente maluco (Ben Foster, está acostumado a esse tipo de personagem mas não conseguiu até hoje emplacar) e outro relutante e menos bandido (o bonitão Chris Pine é certamente hoje o mais esforçado astro de Hollywood, tentando provar que não é apenas galã de blockbuster mas versátil o suficiente até como cantor. E aos poucos tem conquistado a boa vontade geral). Assim, embora previsível, o filme é curioso para quem gosta desse tipo de ação rústica.
O diretor Mackenzie é inglês e pouco conhecido por outros trabalhos como Encarcerado (Starred Up, com Jack O´Connell), Esta Noite Você é Minha (You Instead, com Luke Treadway), Sentidos do Amor (Perfect Sense, com Ewan McGregor e Eva Green), Jogando com o Prazer (Spread, com Aston Kutcher e Anne Heche), Olhar do Desejo (com Jaime Bell), Paixão sem Limites (Asylum, com Natasha Richardson), O Jovem Adam (com Ewan McGregor e Tilda Swinton). Todos imemoráveis com a possível exceção deste último por causa de uma cena de nudez. O roteiro Sheridan também é ator de muitos filmes (está aqui creditado como “cowboy”) e ficou conhecido e até elogiado por causa de Sicário, Terra de Ninguém (15).
Se já se esperava alguma surpresa com o filme, acabou superando a expectativa quando foi indicado ao premio dos Critic´s Choice, que será revelado dia 11 de dezembro em festa transmitida pela TNT comigo como apresentador. Eles deixaram de lado Chris PiIne (que é injusto), mas o filme foi destacado como indicados a melhor filme, diretor, Ben Foster e Jeff Bridges como coadjuvantes. Melhor elenco. Roteiro original. Muita coisa para um filme apenas modesto.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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