RESENHA CRÍTICA: Herança de Sangue (Bloodfather)
Não sei se já chegou o momento do público perdoar Mel Gibson
Herança de Sangue (Bloodfather)
EUA, 2015.. 88 min. Direção de Jean François Richet. Com Mel Gibson, Diego Luna, Erin Moriarty, Michael Parks, William H. Macy, Miguel Sandoval, Dale Dickey.
Não sei se já chegou o momento do público perdoar Mel Gibson. Depois de suas contínuas falhas, assumindo seu alcoolismo, seu preconceito contra os judeus (xingando-os abertamente), suas crises com mulheres e o que é pior de tudo, deixando de ser o galã bonitão que o público gostava para virar um cara feioso com o rosto todo marcado de rugas. Já houve várias tentativas fracassadas de retorno, mas ele insiste novamente agora com este filme B da Lionsgate, que pretende ser uma história de ação sobre um pai envelhecido que agora tenta ajudar sua filha que se envolveu num problema grave, com traficantes de drogas e assassinato! Agora em fuga, ela pede ajuda desse velho que promete salvar a garota.
Depois de meia hora (e um ataque dos bandidos), a dupla finalmente sai pelo deserto, se refugia num motel no deserto (aliás onde se passa a maior parte da aventura), onde um rapaz descobre tudo pela televisão. Só que os bandido do cartel de drogas já estão prontos para atacar, provocando então uma das várias cenas de ação e perseguição (normais, sem nada de especial). Eles seriam, diz o filme Sicário, que trabalham para os traficantes. Eis que aparece como outro bandido o veterano Michael Park (foi Adão de A Bíblia depois resgatado por Tarantino) que irá provocar um conflito geral, inclusive com o mexicano Luna que pensávamos morto. Enfim, é um banal filme B que lembra um pouco dos recentes de Liam Neeson, só que mais pobre. Sylvester Stallone chegou a pensar a fazer a história de livro de Peter Craig, mas desistiu. Mal exibido nos cinemas americanos, foi direto para VOD.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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