RESENHA CRÍTICA: Florence Quem É Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

Meryl Streep se envolve noutro mergulho num projeto arriscado

06/07/2016 00:27 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Florence Quem É Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

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Florence Quem é essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

Inglaterra,16. Direção de Stephen Frears. Roteiro de Nicholas Martin baseado em fatos reais. Com Meryl Streep, Simon Helberg, Rebecca Ferguson, Hugh Grant, Nina Arianda.

É muito raro termos a oportunidade de podermos assistir dois filmes com a mesma história e tema, ambos em cartaz ao mesmo tempo. E o mais curioso: um é Francês/Belga (Marguerite), este outro é britânico e ambos são bons e de qualidade, trazendo interpretações notáveis de ambas atrizes, Meryl Streep (fazendo uma composição inesperada, mostrando rugas que nem sabíamos existir, usando roupas largas, porque a personagem era mais alta e gorda) e a francesa e menos conhecida aqui, mas que nem por isso é menos talentosa, Catherine Frot (que ganhou merecido César, também figurino, som e desenho de produção). Já comentamos o filme e ficamos sabendo que ele é uma adaptação livre transpondo toda a ação para a França, noutra época e menos realista. Também mencionamos a ótima versão teatral com Marília Pera.

Aqui eles foram bem realistas, mexendo em apenas alguns detalhes: coisas menores como o fato de que ela gravou apenas uma porção pequenas de discos (que aliás hoje ainda circulam e provocam risos), de que era ela quem escondia os convites para críticos, criava suas próprias roupas exóticas inspirada em motivos mexicanos. A ação se passa em Nova York, mas foi rodada em Londres, e portanto o Carnegie Hall que vemos no filme não é o verdadeiro. Por outro lado, o mais chocante é uma informação que rarissimamente vemos no cinema e bem podia ter sido escondida, Florence começou com pianista de êxito, mas machucou a mão. Depois casou- se com um senhor que lhe passou sífilis, que lhe atormentou toda sua vida. Então o novo casamento sempre foi de aparência, por causa da doença que eventualmente a mataria. Eles não faziam sexo, mas aparentemente se  amavam.

Essa informação acaba dando um tom mais pesado ao que poderia ou deveria ter sido uma comédia divertida no estilo Tia Mame, sobre uma figura exótica mas querida. E o filme fica melhor quando assume o lado leve e ridículo de sua vida, a briga com o crítico ou a presença marcante da corista que a defende (a estrela da Broadway Nina Arianda). Quem aparece depois de longa ausência e muito envelhecido é Hugh Grant, que faz o marido infiel (com a bela Rebecca Ferguson num papel ingrato).

Ou seja, talvez versão fictícia Margaret seja mesmo melhor, o que não tira, porém o mérito de Meryl, noutro mergulho num projeto arriscado.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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