RESENHA CRÍTICA: Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (Zootopia)

Não é apenas um filme para crianças. Mas também para adultos

15/03/2016 14:05 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (Zootopia)

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Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (Zootopia)

EUA, 16. 108 min. Direção de Byron Howard, Richard Moore, Jared Bush (co-diretor).

Ao contrário do filme anterior, O Bom Dinossauro, que deu um enorme prejuízo para a Pixar Disney (em parte porque foi interrompido para mexer na história e equipe), esta nova animação da Disney está estourando nas bilheterias (em particular na China, onde já passou dos 300 milhões de dólares) e também nos EUA (mais de 142) e foram dublados aqui por Monica Iozzi, Rodrigo Lombardi e Boechat.

Mas além do infeliz subtítulo nacional o filme tem outros problemas graves: 1) é longo demais para crianças, que não tem paciência de o assistirem; 2) também a temática, que no fundo é uma variante das grandes tramas policiais com mocinhos e bandidos, deixa as crianças confusas. Fora isso é tecnicamente excepcional, fazendo citações de outros filmes, entre eles Bambi (o coelho Tambor), Mogli (os ursos que se coçam), Robin Hood, 48 Horas (Eddie Murphy), O Plano Perfeito (Denzel), O Homem Duplo (Flores que viram drogas), Enrolados, Detona Ralph, Frozen (várias), Operação Big Hero, Poderoso Chefão (paródia de Don Corleone), Breaking Bad e outros mais. Cabe a pergunta: será que as crianças vão perceber isso? Claro que não, mas essa é a proposta, não é apenas um filme para crianças. Mas também para adultos. E tem mensagem social de aceitação dos diferentes, na verdade essa é sua importante colocação: Zootopia é uma fábula sobre um lugar antropormófico onde animais predadores são capazes de se dar bem com os outros mais pacíficos, de forma que todos convivem em harmonia! É uma lição importante e oportuna, já que o mundo atual parece desmentir isso.

Enfim, a heroína aqui é uma coelhinha, Judy, que não quer cultivar cenouras como seus pais mas sonha em ser policial, um cargo que geralmente é ocupado pelos maiores e mais fortes. Ela usa a inteligência para passar pela Academia e se tornar a melhor aluna, mas tem problemas quando conhece uma raposa (macho) chamado Nick Wilde, que segundo a tradição deles, é um completo e esperto malandro, que entende de truques e de como fazer dinheiro. Esse improvável casal será o foco do filme ainda mais quando eles descobrem uma conspiração onde o mais importante não é fazer rir mas se envolver numa história com perseguições de carro, hospitais, prisões e assim por diante.

De qualquer forma, como no sucesso anterior vencedor do Oscar, Divertida Mente, a Disney está mudando o gênero sem esquecer o público infantil, já que o próximo lançamento deverá ser o Procurando Dory.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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