Nasce um Monstro em DVD
Um bebê mutante nasce com instinto animal e fome voraz por carne humana. Foge do hospital no dia do nascimento, causando pânico em uma pequena cidade americana.
Nasce um Monstro (It’s alive)
EUA, 1974, 91 min. Terror. Dirigido por Larry Cohen. Distribuição: Versátil Home Video
Lendário filme B escrito, produzido e dirigido por Larry Cohen durante o movimento da Nova Hollywood, que gerou alarde pelo personagem grotesco do bebê canibal - e choveu de opiniões negativas da crítica mundial. Apesar de não citar as causas que levaram à anomalia do recém-nascido, subentende-se que o bebê é fruto do meio caótico, um conjunto de “deformidades” que cercam o homem moderno, como a crise moral e de valores, o abuso ao meio ambiente e a violência estarrecedora nas ruas – há cenas rápidas que reforçam essa ideia. Está aí o ponto mais subjetivo de todo o roteiro criativo, com momentos de muito sangue, perseguições policiais e angústia.
Outro fator crucial é aguçar a curiosidade do público no formato mais assustador de se fazer cinema de terror, aquele em que o medonho surge em partes, em lances, e nunca por completo. Aqui, não centraliza o monstro dos pés à cabeça, mas por flashes de nuca, da mão, dos pés engatinhando, de barulhos estranhos, e a câmera em primeira pessoa, para nós enxergarmos o que a criatura vê à frente. E tudo sob a trilha enérgica do premiadíssimo compositor Bernard Herrmann.
Assista sem critérios realistas, reflita sobre as prováveis causas das monstruosidades contemporâneas. Um filme tenso, perturbador, feito para incomodar. Teve duas continuações bem inferiores, também dirigidas por Cohen, “A volta do monstro” (1978) e “A ilha dos monstros” (1987), e um remake desastroso, “Anjo maldito” (2008). Opte pelo original, claro!
“Nasce um monstro” sai no Brasil em versão restaurada pela Versátil, na caixa “Obras-primas do terror – Volume 4”, acompanhado de cinco outros títulos: “A filha de Satã” (1962), “Sob o poder da maldade” (1967), “Schock” (1977), “A casa do cemitério” (1981) e “A espinha do diabo” (2001).
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
relacionados
últimas matérias