Enquanto Somos Jovens (While We´re Young)
O filme tem um ou outro momento mais engraçadinho, mas não conseguiu convencer ou encontrar seu público
Enquanto Somos Jovens (While We´re Young)
EUA, 2015. 97 min. Direção e roteiro de Noah Baumbach. Com Ben Stiller, Naomi Watts, Adam Driver, Amanda Seyfried, Dree Hemingway, Charles Grodin, Peter Bognadovich, Peter Yarrow, Adam Horowitz, Maria Dizzia.
Não é bem uma comédia, o diretor Baumbach é um sujeito esquisito, que faz comédias sem risadas, dramas sem final (como se tivesse medo de concluir com denúncias ou algo mais profundo) e que por isso mesmo resultam mal (este filme custou apenas 10 milhões de dólares e até agora rendeu apenas 7 milhões e pouco, ou seja, não se pagou no mercado americano). E duvido que vá bem por aqui, desde quando os mais espertos perceberam que se trata de nada mais do que uma nova versão de A Malvada, só que em vez da aspirante a estrela da Broadway temos na mesma Nova York um jovem que quer ser um documentarista famoso e para que isso de certo não tem qualquer escrúpulo. Na verdade, o filme é francamente contra os jovens usando como epigrafe no começo um diálogo de Ibsen em The Master Builder, Solness, o Construtor (de 1892), onde um casal tem medo do jovens e recusa abrir a porta!
Até seria uma boa ideia colocar as gerações em conflito, caso tivesse arranjado uma trama menos óbvia e um protagonista mais inteligente. Ben Stiller faz Josh, um documentarista que teve sucesso muitos anos antes e agora aos 44 anos, com os primeiros sinais de velhice, não tem filhos (por sua mulher, a sempre fiel Naomi Watts) não pode tê-los. Há alguns anos ele está tentando editar um novo filme sem sucesso, ou sem patrocínio (embora eu não tenha conseguido descobrir de que o casal vivia! Será que o pai dela um cineasta famoso, vivido pelo grande Charles Grodin, estaria ajudando? Por que um salário de professor mesmo no EUA não é lá essas coisas). Até que em uma de suas aulas aparece um rapaz de 25 anos, Jamie (Adam Driver, que estourou imediatamente depois da primeira temporada da serie da HBO Girls, em 2012. E esteve também em Frances Ha, do mesmo diretor). Vem a tiracolo sua namorada, a ainda interessante Amanda Seyfried, que infelizmente parece ter perdido sua chance de estrelato.
Os dois casam, ficam amigos e os veteranos descobrem novos hábitos e costumes, chegando mesmo a experimentar drogas alucinógenas e a aceitar codirigirem um filme, lógico que um documentário. E de repente se descobre que Jamie não era ética, inventou tudo para se aproveitar do prestígio do sogro de Josh, ou seja, deu um golpe. Quando Josh tenta explicar, lhe dizem que isso não tem importância mais hoje em dia, onde todo mundo grava tudo! O que aliás Jamie está fazendo e ninguém leva a sério. A sequência final é apaziguadora e não convence. Foi por tudo isso que o filme que tem um ou outro momento mais engraçadinho, não conseguiu convencer ou encontrar seu público. Uma curiosidade: o diretor gosta de usar cantores veteranos que fazem pontas, no caso Peter Yarrow (que faz o velho que é entrevistado, é o mesmo líder do grupo Peter, Paul e Mary) e o marido amigo do casal é Adam Horovitz, roqueiro do grupo Beastie Boys (aliás o pai dele é o diretor Israel que dirigiu Minha Querida Dama atualmente em cartaz).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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