OSCAR 2026: MARTY SUPREME
Um retrato estiloso que depende quase totalmente de seu protagonista. E Timothee Chalamet prova mais uma vez que sabe dominar a tela
Marty Supreme chega cercado de expectativa, curiosidade e algumas controvérsias. O filme tenta capturar a energia de um personagem maior que a vida. Mas também revela as armadilhas de transformar carisma em narrativa. A história acompanha ascensão, excessos e contradições de um protagonista que vive no limite. Há ritmo, há estilo, mas nem sempre há profundidade. O roteiro parece mais interessado na aura do personagem do que em entendê-lo.
A direção aposta em dinamismo visual. Câmera inquieta, montagem rápida e trilha pulsante criam um clima quase febril. Em alguns momentos funciona bem. Em outros, dá a sensação de espetáculo tentando esconder fragilidades.
As polêmicas em torno do filme começaram ainda na produção. Discussões sobre abordagem histórica e escolhas narrativas dividiram opiniões. Alguns viram irreverência; outros, superficialidade.
Parte do roteiro dialoga com um livro autoral que inspirou a história. Mas a adaptação toma liberdades claras, misturando fatos, invenções e personagens inesperados. A inclusão de Gwyneth Paltrow (ainda linda e talentosa), por exemplo, surge como licença poética curiosa. É um detalhe que chama atenção e reforça o tom quase mítico da narrativa.
No centro de tudo está Timothée Chalamet. E é inegável que ele se entrega ao papel com energia. Há carisma, presença e uma tentativa clara de capturar o espírito provocador do personagem. Chalamet demonstra controle de cena e magnetismo. Mas o roteiro nem sempre oferece material suficiente para aprofundar sua interpretação.
Ele segura o filme nas costas mais do que deveria.
O resultado é irregular, porém curioso. Um filme que entretém, mas raramente surpreende.
Nota: 3,5/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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