RESENHA CRÍTICA: Antes de Dormir (Before I Go to Sleep)
O filme se não chega a convencer, dá para distrair
Antes de Dormir (Before I Go to Sleep)
Inglaterra, 14. 92 min. Direção e roteiro de Rowan Joffé. Baseado em livro de .S.J.Watson. Com Nicole Kidman, Colin Firth, Mark Strong, Anne-Marie Duff, Ben Crompton, Adam Levy.
Não entendo como Nicole Kidman encontra tempo para fazer tanto filme, mesmo quando são projetos menores que dificilmente terão sucesso ou repercussão como é o caso deste suspense /thriller britânico, onde se reúne novamente com Colin Firth. Curioso para cinéfilo porque o diretor escritor é Rowan Joffé, que é filho do premiado com a Palma de Ouro Roland Joffé (por A Missão, e que numa carreira irregular acertou também com Os Gritos do Silêncio, Vatel). A mãe é a atriz britânica Jane Lapotaire (que viveu Piaf). Este Rowan já fez filmes melhores: o interessante O Pior dos Pecados (Brighton Rock, 10) e os roteiros de Um Homem Misterioso com George Clooney e Exterminio 2, de Fresadillo.
Meu problema maior com o filme é que ao mesmo tempo é meio óbvio, com tão poucos personagens e situações difíceis de encontrar uma solução mais complexa. E também um pouco confuso, querendo se tornar mais complexo e inteligente. Outra coisa que e difícil de engolir, é que a heroína Kidman sofre da mesma doença que Drew Barrymore na comédia com Adam Sandler, Como Se Fosse a Primeira Vez, 04, que aliás não era ruim. As duas tem o mesmo problema, por causa de um trauma profundo tem memória curta, a cada noite quando dormem esquecem de tudo e recomeçam de novo a reaprender... No caso, Nicole vive com o paciente marido Firth que vai lhe ajudando, mas ela não satisfeita começa a recorrer a um médico (que lhe dá um vídeo para ir gravando) e uma antiga amiga, sem a certeza de que algum deles esteja dizendo a verdade...
E não podemos contar mais nada. Nicole se expõe já com menos botox, Firth parece gostar da companhia e o filme se não chega a convencer, dá para distrair. E nada mais.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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