RESENHA CRÍTICA: Filha Distante (Dias de Pesca)
Sorin é excelente em criar tipos passageiros e marcantes, em manter um clima
Filha Distante (Dias de Pesca)
Argentina, 12. 77 min. Direção e roteiro de Carlos Sorin. Com Alejandro Awada, Victoria Almeida, Oscar Ayala, Diego Caballero.
Não há risco em colocar entre os melhores diretores do cinema argentino Carlos Sorin, que está em ação desde 1989, no longa Eversmile, New Jersey, já rodado nos extremos da Argentina, na incrível fotogenia da Patagônia, estrelado pelo argentino e ainda não tão famoso Daniel Day Lewis. Neste seu último filme de 2012, Sorin continua o mesmo não apenas misturando atores conhecidos (o protagonista que faz um sujeito que vai visitar a região e procurar encontrar a filha, na esperança vaga de também pescar um tubarão é interpretado pelo famoso Awada de Nove Rainhas e Aura). Mas só ele e a moça que faz a filha são profissionais.
Todo o mérito vai para Sorin que ficou com fama de fazer filmes minimalistas, o que não é nada do que faz. Essenciais talvez, sem barroquismos, mas de uma precisão e profundidade incríveis. Falar o que quando se pode sentir, entender os fatos por um olhar, uma reação, uma tentativa de se pegar algum peixe... Sorin é excelente em criar tipos passageiros e marcantes, em manter um clima, de explicar com os olhos, em interessar com a paisagem e a imaginação. Este de dois prêmios para o ator Awada e a gente o assisti com muito prazer.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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