RESENHA CRÍTICA: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
O mais novo filme da Marvel tem ação, aventura e principalmente um saudável humor
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
EUA, 14. 121 min. Direção de James Gunn. Com Chris Pratt, Vin Diesel(voz de Groot), Bradley Cooper (voz de Rocket), Dave Bautista (como Drax), Zoe Saldana, Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gillan, Djimou Housou, e mais John C. Reilly, Glenn Close, Benicio del Toro, Laura Haddock.
Desta vez segundo as distribuidoras não foram mostradas as cenas extras de costume nos filmes da Marvel porque estariam guardando-as para premiar o público pagante.O que nos parece um ato soberbo (nunca é sábio brigar com a imprensa) e caça níquel. Mas parece que elas existirão e duvido que muitos se abalarão para ver as tomadas pagando nas salas (quando noventa por cento do público sai correndo Deus sabe porque!). Enfim, o fato do filme ser bastante divertido e perfeitamente consumível já é um milagre, até porque a história do gênero traz inúmeras aventuras do tipo (fazer comédia com aventuras espaciais com bichos esquisitos e monstrengos). A Marvel tem roteiristas competentes que conseguem fazer humor na hora certa, misturando referencias “pops” (citações as canções antigas, atores atuais - como Kevin Bacon) como insultos (engraçados ) e piadas recorrentes (como a frase “Eu sou Groot!”) a seus Monstros mais curiosos.
Francamente temia pelo desastre, ainda mais por causa da inexperiência do roteirista Gunn (que dirigiu antes o horrível Seres Rastejantes, Super com Rainn Wilson e num episódio do patético Para Maiores. Ou seja, alguém segurou sua rédeas e não permitiu fazer besteira. O risco maior já foi chamar para protagonista o já veterano Chris Pratt que faz tempo que se especializou em ser amigo do mocinho (em filmes como Ela, De Repente Pai, Qual seu Número, A Hora Mais Escura, O Homem que Mudou o Jogo) e que ao topar perder 20 quilos em 6 meses, conseguiu se tornar fortão e herói (e já estrela o novo Jurassic Park). Não o acho carismático mas é simpaticão e consegue segurar o filme que não se sobressai também por seus efeitos especiais (o problema de aventuras espaciais nascidas de Star Wars é um gosto duvidoso do design de arte , figurinos que tem que ser bizarros, maquiagens esdrúxulas enfim... os clichês que tem que ser mantidos).
Talvez o elemento mais curioso seja justamente seu início num prólogo em 1988 quando um garoto normal da Terra, logo depois de perder sua mãe, é levado pelos Extra Terrestres e anos depois o encontramos como o piloto Peter Quill, uma espécie de Indiana Jones espacial fora da lei (certos fãs acham que lembra a serie Cult de Joss Whedon Serenity). Não perca tempo decorando nomes de pessoas e lugares, relaxe e embarque na aventura. Peter vai parar na prisão junto criminosos e mercenários e logo formará sua relutante equipe com interesse amoroso (Zoe Saldana, de Avatar), diversos tipos exóticos tanto de parceiros quanto inimigos. Alguns vividos por atores, outros criados por efeitos digitais (como o Guaxinim raivoso chamado Rocket, voz de Bradley Cooper, Groott uma árvore que anda (voz de Vin Diesel).
Tem ação, aventura, mas principalmente um saudável humor que torna um bom passatempo este que seria o ultimo blockbuster da temporada.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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