RESENHA CRÍTICA: A Recompensa (Dom Hemingway)
Rubens Ewald Filho acha que vale a pena conferir este filme estrelado por Jude Law
A Recompensa (Dom Hemingway)
Inglaterra, 13. Direção e roteiro de Richard Shepard. 93min. Com Jude Law, Richard E. Grant, Demian Bichir, Kerry Condon, Emily Clarke.
Aqui está a melhor interpretação de toda a carreira de Jude Law, que é sempre confiável mas era prejudicado por ser bonito demais (o que leva as pessoas a não levarem a sério). Aos 41 anos, ele não disfarça as entradas e está gordinho no papel titulo, um ladrão, especialista em abrir cofres que passa 12 anos na cadeia recusando-se a revelar que foi seu chefe na expectativa de que no dia em que saísse seria recompensado com dinheiro. Pena que o filme tenha um final abrupto e caia de ritmo na segunda parte quando reencontra a filha e o neto (mulato). Ate que evita sentimentalismo mas não se compara com a brilhante primeira parte.
Isso talvez possa explicar o fracasso do seu lançamento nos EUA onde teve bilheteria insignificante e Jude não teve qualquer indicação a premio como merecia. Quem duvidar que entre para ver os primeiros três minutos quando ele faz um monologo para a câmera, em altos brados fazendo o elogio da beleza e eficiência do seu órgão sexual, a quem compara a uma obra de arte de Picasso ou Renoir. Não posso dar mais detalhes mas é o começo de uma aventura muito bem humorada, quando ele reencontra um amigo (Grant) e vai ate um refugio que parece ser na França, onde vive o chefão (o mexicano Bichir) Mr. Fontaine. Bebe demais, fala demais, dá em cima da garota do patrão e mas mais ou menos na metade do filme acontece um incidente que muda toda a situação.
Pena que essa parte final não tenha mais o ímpeto e originalidade deste roteiro muito inteligente feito pelo diretor americano Shepard (tem feito muito tevê recentemente com episódios de Girls, Salem, mas fez algo parecido com O Matador com Pierce Brosnan). De qualquer forma, vale a pena conferir.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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