RESENHA CRÍTICA: Assunto de Família (Manbiki Kanzeku)
Acaba sendo previsível e sem maior impacto, no que me parece o filme mais fraco do diretor
Assunto de Família (Manbiki Kanzeku)
Japão, 2018. Direção de Hirokazu Koreeda. Com Lily Frenly, Sahura Cindo, Kiki Kurin.
Este foi o filme japonês que inesperadamente ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2018, depois de muitos anos de exibição de seus trabalhos justamente nesse festival famoso. Eu passei a conhecer o trabalho do diretor pelas mãos de Leon Cakoff, da Mostra Internacional de São Paulo e também sua mulher Renata, o que me levou a assistir quase todos seus trabalhos, muito pessoais, em geral com um toque humano e social, todos agradáveis de ver. Estranhei desta vez ele contar uma história mais triste e menos original. É a situação de um velho oriental que chama uma garotinha japonesa para ficar com família deles, todos malandros, mas não mal sujeitos, que vivem de roubar supermercados e dar truques que ajudam todos a sobreviver. O que poderia ser uma comedia dramática social e com figuras curiosas e bem humanas. Mas acaba sendo previsível e sem maior impacto, no que me parece o filme mais fraco do diretor. Acontece que ele com frequência é comparado com Ozu, especialista em dramas humanistas, com o tema de pais e filhos, melancólico e sensível. Quase todos foram exibidos no brasil como Depois da Vida, 98, A Luz da Vida, 95, Andando, 2004, num total de 24 longa metragens. Mas não deixei de me decepcionar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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