RESENHA CRÍTICA - GLOBO DE OURO 2019: A Favorita (The Favourite)
A princípio achei até interessante a fotografia muito escura e o figurino ao mesmo tempo exótico e carnavalesco
A Favorita (The Favourite)
Grécia, Inglaterra, 2018. Direção do grego Yorgos Lanthimos. Roteiro de Deborah Davis, Tony McNamara. Com Olivia Colman, Emma Stone, Rachel Weisz, Nicholas Hoult, Emma Delves, Fay Daveney.
Este foi o filme que fez a abertura da Mostra Internacional de São Paulo deste ano aproveitando o prestigio do diretor grego Lanthimos, o mais famoso e estranho de sua terra, sendo que já teve premiação com outros trabalhos enigmáticos e bizarros, sendo o mais simples e famoso O Lagosta, 15, com Rachel Weisz e Colin Farrell. Mas antes disso os trabalhos foram ainda mais difíceis (como O Sacrifício do Servo Sagrado com Nicole Kidman e Farrell e ainda mais incompreensível). Antes disso fez circuito de arte com Dente Canino, Alpes, Kinetta e outros mais locais.
Este filme ao menos emocionou os votantes do Globo de Ouro de tal forma, que foi indicado aos prêmios Olivia Colman (que faz a rainha), Rachel Weisz, Emma Stone, mais roteiro e ainda roteiro de musical ou comédia (é bom avisar isso porque pouca gente irá perceber isso a não ser por alguns tombos ou socos que atores fazem de bom gosto, por um prêmio são capazes de tudo!). A princípio achei até interessante a fotografia muito escura e o figurino ao mesmo tempo exótico e carnavalesco. Essa rainha que segura o filme realmente existiu e teve parentes celebres na Inglaterra (como Churchill), mas o filme vai se desgastando por repetir ao excesso os planos de castelos, onde tudo sempre aparece arredondado e caindo na comédia ao mostrar o horror que é a vida particularmente da rainha, cheia de frieiras e feridas na perna, mas que também gostar de ficar beijando sua companheira. Quem faz a novata é Emma Stone, que emigra com sua família para tentar um lugar entre os nobres (coitada, leva uns empurrões que a jogam enquanto fica trabalhando junto com a rival Weisz). Enfim, não é bem comédia, ao menos que a achemos patética, não é história porque quase tudo que mostra acaba sumindo sem maior consequência, e a figura melhor é, por definição, coincidência, uma atriz britânica conhecida na televisão local chamada Olivia Colman que ameaça absurdamente ganhar o prêmio maior (quando tem tanta gente boa concorrendo!) .
Há um resumo do filme para quem não conseguir segui-lo direito: “No começo do século 18, a Inglaterra está em guerra com a França (mas mal se dá para entender nos diálogos!). No entanto, se alimentam de patos e frutas. A rainha Anne é muito frágil com doenças, mas ocupa o cargo com a ajuda da amiga Lady Sarah (Rachel Weisz). Quando chega uma nova servente Abigail (Emma Stone), esta tenta ser próxima da rainha para o ciúme da outra, com a pressão de alguns oficiais”. Pouca coisa, porém, dá certo ou interessa.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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