RESENHA CRÍTICA: Melhores Amigos (Little Boys)
Discreto, aborrecido e mal sucedido, não vale o trabalho de sair de casa
Melhores Amigos (Little Boys)
EUA, 16. 95 min. Direção de Ira Sachs. Com Greg Kinnear, Jennifer Ehle, Paulina Garcia, Theo Taplitz, Michael Barbieri, Alfred Molina, Talia Balsam.
Difícil entender porque este filme sem maiores atrações de elenco ou tema chega aos cinemas no Brasil. Rodado no Brooklyn, com baixo orçamento (2 milhões de dólares) e pouca repercussão (ainda assim ganhou premio especial no Festival de Deauville na França, teve outras indicações no Independente Spirit – atriz coadjuvante Paulina, roteiro, várias no Clhotrudis). O diretor tem certa carreira, tendo feito há pouco o humano gay O Amor é Estranho (14) com o mesmo Molina que está presente aqui e acabou de fazer o papel do diretor na série de TV, Feud, o dramático e gay Deixe a Luz Acesa (12), Vida de Casado com Julianne Moore, 07, 40 tons de Azul, 05, alem de outros filmes ainda menos famosos.
A Ideia central de dois adolescentes entrarem em greve contra os pais foi inspirada em dois filmes japoneses, o clássico Meninos de Tóquio, 32, e Bom Dia, 52. Ambos do mestre Ozu. A peça que está sendo ensaiada seriam os famosos A Gaivota e o Huis Clos de Sartre. Mas não espere muito porque nenhuma das tramas vagamente prenunciadas são levadas adiante, a ponto do filme terminar num daqueles becos sem saída, que são disfarçados com boas intenções (mas que deixam a história bastante vaga, na vida real nada se resolve assim de repente e sem detalhes).
Curiosamente a critica americana não foi negativa apesar do filme ser lento, bobo e insosso. Chegaram a dizer que trazia pequenas verdades sobre a vida atual, nem o fato de se passar em Brooklyn e criar um conflito entre duas famílias, quando morre o dono de um imóvel deixando a herança do lugar para um filme que é um ator de pouco sucesso (Greg Kinnear) se deixou envelhecer ainda mais que costume, parecendo perdido na trama. A ótima inglesa que faz a mulher dele, a bela Ehle anda de lá para cá sem ter cenas fortes e a outra protagonista não esconde que é de origem judaica (mas nem isso torna o filme mais interessante). Nem sequer é bem desenvolvida a amizade entre os dois pré adolescentes que eram solitários e agora ficam amigos. Discreto, aborrecido e mal sucedido, não vale o trabalho de sair de casa.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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