RESENHA CRÍTICA: O Que Está por Vir (Things to Come/L´Avenir)
É óbvio que Mademoiselle Huppert é a mais bem sucedida musa do cinema francês
O Que Está por Vir (Things to Come/L´Avenir)
França, 16. 105 min. Direção de Mia Hansen Love. Com Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kilinka,Edith Scob, Sarah Le Picard, Solal Forte.
É óbvio que Mademoiselle Huppert é a mais bem sucedida musa do cinema francês, inclusive no filme imediatamente anterior (Elle) e que lhe deu indicação ao Globo de Ouro e Critic´s Choice (e possivelmente Oscar, por absurdo que pareça ela não ganhou nenhum, apesar de ocasionalmente ter feito filmes americanos). Este filme é de uma mulher Mia Hansen (que é ou foi mulher de um diretor Francês famoso Olivier Assayas).Curiosamente os outros filmes que Mia dirigiu, embora tenham títulos em português, não deixaram muita lembrança (O Pai dos Meus Filhos, 09, Adeus, Primeiro Amor, 11, Eden, 14 e outro mais recente chamado Maya com la Binoche).
É interessante notar que o filme é inspirado num fato real, na relação da diretora com a própria mãe que quis se mudar para um asilo de luxo para velhos (Edith Scob, que está no seu 113º crédito, fez filmes famosos como Os Olhos sem Rosto, 10, de Franju, Le Bel age, de Kast, Câmara Ardente, de Duvidier). Desnecessário Louvar Huppert, impecável em tudo que faz, aqui ela interpreta Nathalie, professora de filosofia, respeitada pelos alunos mas eventualmente desprezada por editores de seus livros que acham superado, o marido de muito tempo prefere sair de casa e manter um romance com uma mulher mais nova e parece que sempre muito auto suficiente e cheia de verdades, poderia ter um possível romance com jovem aluno que a admira. Mas nem isso é levado adiante.
Indicado para o público feminino, em particular professoras e alunos de Filosofia, sem perder aquele pedantismo tão obviamente francês, é um retrato que pode ser interessante para as mulheres mais experientes que também irão vibrar com paisagens de natureza e uma narrativa discreta e natural.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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