RESENHA CRÍTICA: A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans)

Senhoritas e senhoras românticas este é um filme indicado para vocês

01/11/2016 22:01 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans)

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A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans)

Austrália, Nova Zelândia,Inglaterra. 16. Direção de Derek Clanfrance. Baseado em livro de M.L. Stedman. Com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Caren Pistorius, Jack Thompson, Bryan Brown.

Senhoritas e senhoras românticas este é um filme indicado para vocês, reforçado pela presença de um casal que justamente durante a rodagem do projeto num lugar idílico e pouco conhecido da Austrália, a Tasmânia - melhor dizendo, da terra de Errol Flynn - e quando começaram a namorar o que vem sucedendo parece até hoje, o alemão indicado ao Oscar Michael Fassbender e a sueca vencedora do Oscar, Alicia Vikander. É um projeto ambicioso feito com cuidado e bom elenco, mas tem uma história polêmica. Vai envolver a espectadora até pouco mais da metade, quando sucede um evento muito discutível (infelizmente não podemos dizer o que para não estragar o prazer). De qualquer forma, é muito possível que a espectador reaja contra essa resolução que sem duvida irá provocar discussões. Mas não é apenas isso...

De qualquer forma, falar deste filme é um desafio para um critico sob pena de estragar o possível prazer ou irritação do espectador(a). Mas é um filme muito feminino (muitas vão chorar). O protagonista Tom Sherbourne é um soldado britânico que lutou na Primeira Guerra com honra (mas nunca se dá mais detalhes desse período, mesmo se considerando essa chamada A Grande Guerra foi a mais horrível e devastadora de seu tempo, mudando todas as regras da luta entre países!). Enfim, ele volta vivo e sem aparentes problemas, deseja apenas trabalho num lugar sossegado e discreto. Consegue isso ao trabalhar como faroleiro, ou seja, o sujeito que vai cuidar de farol numa torre em lugar estratégico onde evitara tragédias com navios de todos os tamanhos (uma falha grave do filme que só percebo agora é que durante todo o filme ele nem por uma vez interfere numa situação de perigo - no máximo uma tempestade na sua própria casa! - Ou seja, não nos mostra nem sua habilidade nem o tamanho do perigo! Talvez tenha sido cortado porque o filme já meio grande mas é sem duvida uma falha, porque em momento nenhum chegamos a entender ou conhecer melhor esse protagonista que é carrancudo e inexplicado).

Ao chegar a pequena cidade, ele se deixa conquistar pelo que parecer ser a única jovem bonita do lugar, Isabel Graysmark, ou seja, Alicia, que está também ansiosa para se casar. Os dois eventualmente vão para o farol (não moram nele mas numa bem arrumadinha casa bem perto) onde ela fica grávida. Mas tem a infelicidade de perder a criança (a primeira de maneira especialmente desagradável porque vai procurar abrigo da tempestade no farol e ele não percebe nada!). Depois vem a perder mais um bebê... de causas naturais... (o que também passa rapidamente) até que a história realmente começa de fato quando surge ali um barco com um cadáver masculino dentro e carregando um bebê, uma menina. Outro defeito grave é que não ficamos sabendo nunca dos detalhes da morte dessa pessoa, e porque essa morte tão misteriosa e que ninguém tentou impedir ou ajudar a salvar a vítima!

Acontece finalmente o conflito maior, o casal adota a criança e a trata como filha perante todo mundo. Mas anos depois (outra falha) surge na cidade uma jovem rica (que não se da direito com sua própria família), mas isso é outra questão não desenvolvida... É interpretada pela sempre interessante inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar, mulher de James Bond, a Hannah Roenfelt. Então haverá a confusão tão esperada e muito dramática.

Muito bem, se o resultado dela não me convence, o filme desmorona inteiramente numa conclusão, que tenta nos convencer que muitos e muitos anos depois a criança cresceu e se tornou uma jovem feliz e sem problemas! O que é um grande absurdo...

Enfim, este Luz Entre Oceanos pode provocar algum choro e impressionar algumas visões turísticas para mim, apenas a qualidade do trio perdido nesse triângulo poderia salvar o projeto. O diretor Cianfrance fez um filme bonitão, mas inconvincente. Ele dirigiu antes projetos menores como o fraco O Lugar onde tudo Termina, 12 ,com Ryan Gosling, Namorados para Sempre, 10 com Gosling e Michelle Williams. Não convence num espetáculo de 20 milhões de dólares (aparenta mais) e que rendeu ate agora apenas 12 milhões. Não creio que tenha chances para o Oscar nem mesmo neste ano fraco.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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