RESENHA CRÍTICA: Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor)

Esta é a mais recente adaptação de um livro do mestre britânico John Le Carré, mas é preciso se acostumar ao gênero, menos soturno do que o costume

05/10/2016 23:59 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor)

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Nosso Fiel Traidor Cartaz Poster

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor)

Inglaterra, 16. 108 min. Direção de Susannah White. Com Ewan McGregor, Jeremy Northam, Stellan Skasgaard, Naomie Harris, Damian Lewis, Saska Reeves, Carlos Acosta, Roteiro de Hossein Amini baseado em livro de John Le Carré.

Esta é a mais recente adaptação de um livro do mestre britânico do livro de espionagem John Le Carré, famoso desde O Espião que Veio do Frio (65) que mudou as regras do gênero e filmado com Richard Burton e Claire Bloom, seguido por Chamada para um Morto com James Mason (66), A Guerra no Espelho com Anthony Hopkins (69), A Garota do Tambor, 84, com Diane Keaton, A Casa da Rússia com Sean Connery (90), O Alfaiate do Panamá com Pierce Brosnan (91), A Murder of Quality, 91 (TV), de Gavin MIllar, O Jardineiro Fiel com Ralph Fiennes (2005), O Espião que Sabia Demais com Tom Hardy e Gary Oldman (2011), O Homem Mais Procurado com Phillip Seymour Hoffman e Rachel McAdams (2014), a minissérie The Night Manager, com Tom Hiddleston (2016) e este filme que não foi bem recebido pelo público americano,  não passou de 3 milhões de renda nos EUA e um total de 9 milhões e 600 mil de dólares contando o exterior.

Quem dirigiu foi a inglesa Susanna que realizou muitos telefilmes, a comédia juvenil Nanny McPhee e As Lições Mágicas (10), a minissérie Parade´s End, 12, episódios de Boardwalk Empire, Masters of Sex, mas teve duas indicações ao Emmy por episódios das séries Generation Kill e Jane Eyre. A trilha musical é do brasileiro Marcelo Zarvos e a fotografia de Anthony Dod Mantle (Rush, Quem Quer Ser um Milionário).

A fotografia é bonita, talvez até muito rebuscada (começa com uma bela imagem de um dançarino praticamente voando no ar) e a qualidade prossegue com um assassinato numa estrada coberta de neve e dali dá um pulo para Marrakesh, onde o herói o professor Peter e sua esposa negra Gail conhecem o russo Dima, que logo se revela um sujeito poderoso e violento, membro da máfia russa e que pede a Peter um favor: entregar aos ingleses um segredo já que o novo chefe da máfia, o Príncipe, quer matar ele e sua família. Uma visita a Paris, depois nos Alpes suíços, demonstra que os mafiosos estão atrás deles.

Meu primeiro choque foi descobrir que o outrora jovem Ewan já traz os sinais da idade, mas ainda age como se fosse um novato leviano e ingênuo. No final das contas, o personagem dele não é nem muito forte, nem marcante. Um pouco menos fraco é o de Demian Lewis, o inglês eu ficou conhecido pela série deTV Homeland. Depois é preciso se acostumar ao gênero, menos soturno do que o costume, mais para o Bond ou Missão Impossível. O papel mais forte é o do sueco Stellan, ótimo na série inglesa River. E no final há uma pequena ironia inesperada. Mas fora da qualidade da imagem.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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