RESENHA CRÍTICA: Asterix e o Domínio dos Deuses (Astérix and Le Domaine des Dieux)
O filme é movimentado, mais engraçado do que outros da série e mesmo os que não conhecem o lendário original vão apreciar
Asterix e o Domínio dos Deuses (Astérix and Le Domaine des Dieux)
França/Bélgica , 14. 85 min. Animação. Direção de Lois Clichy e Alexandre Astier. Baseado nos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderso.
Para a França e quase toda a Europa, os personagens dos quadrinhos (álbuns) de Astérix são mais famosos e queridos do que qualquer coisa da Disney (tem até um parque temático) e durante certo tempo tiveram algum sucesso no Brasil tanto em desenho animado quanto depois recriado com atores (elenco de astros). Mas tenho minhas dúvidas sobre sua permanência hoje em dia (o filme esta sendo lançado discretamente e em geral apenas para matinês). Este aqui seria a aventura mais recente no cinema, mas tivemos várias outras: Asterix e Obélix: A Serviço de sua Majestade (12), Asterix nos Jogos Olímpicos, 08, Asterix e os Vikings, 06, Missão Cleópatra, 02, Asterix e Obelix Contra César, 99, Asterix Conquista América, 94, Astérix e a Grande Luta, 89, Asterix entre os Bretões, 86, Asterix e a Surpresa de César, 85, Os Doze Trabalhos de Asterix, 76, Asterix e Cleópatra, 68, e o primeiro Asterix, o Gaulês, 67).
Gostei especialmente da cena de abertura, quase um teaser. Começa com a aldeia onde vivem os heróis, completamente vazia. Aí ficamos sabendo que o imperador romano Julio César está em reunião com seus conselheiros e arquiteto porque pretende destruir o lugar e substituí-lo por uma cidade romana, quase uma réplica da Capital deles. E ai entram os letreiros. É claro que a aventura é mais para meninos e seus pais, porque tem sutilezas, a Terra seria construída em torno da vila deles de forma a impressioná-los e assim convencê-los a se unir ao Império Romano.
Depois dos letreiros bem modernos, fica claro que a animação já é digital e a história narrada com ação e entusiasmo. Fica visível a intenção de dar ao filme menos papo e mais “gags”, piadas visuais (caçadas, perseguições, Obelix mandando inimigos pelo ar etc. Tem até lutas de gladiadores, mas nunca violentas, as pessoas saem voando como convém a um filme indicado a crianças). Além disso, tem o mérito de ser relativamente curto (enquanto as animações de hoje tem sido intermináveis e sempre causando desconforto para crianças pequenas). De qualquer forma, o filme é movimentado, mais engraçado do que outros da série e mesmo os que não conhecem o lendário original vão apreciar. Quem sabe seu filho vira também fã da turma do Asterix?
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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