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RESENHA CRÍTICA: A Bela e A Fera (Beauty And The Beast)

Óbvio é que a animação era melhor, mas esta imitação é razoável mas sem a mesma magia ou encanto

13/03/2017 23:42 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Bela e A Fera (Beauty And The Beast)

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A Bela e A Fera (Beauty And The Beast)

EUA, 17. 2h 9min. Direção: Bill Condon. Trilha de Alan Menken. Com Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Ian McKellen, Emma Thompson, Hatie Morahan (a feiticeira), Audra MacDonald, Gugu Batha Raw.

Sabe-se da proposta da Disney de adaptar todos seus filmes de animação, os desenhos mais famosos para versões (musicais quando possível) com atores. A experiência tem sido quase sempre favorável com Angelina Jolie de Malévola (Maleficent, 14), do qual se fala ainda numa continuação, Cinderela (com Cate Blanchett de madastra, 15), um bem sucedido Mowgli, o Menino Lobo (inovador tecnicamente e premiado com o Oscar 16) e um único equívoco que foi o infeliz Meu amigo, o Dragão (Pete´s Dragon, 16), talvez porque o original era pouco conhecido, inteiramente musical, narrado como comédia e o dragão era animação contracenando com atores. De qualquer forma foi uma decepção que não abalou o estúdio que hoje com a ajuda da Marvel, é o mais poderoso e rico de Hollywood.

Também musical é esta refilmagem do bem sucedido filme de animação A Bela e a Fera (feito no longínquo 1991 e originalmente escrita pela francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve em 1740 e tornada famosa no cinema por uma versão do poeta francês Jean Cocteau, La Belle et la Bête com Jean Marais e Josette Day) e que ganhou dois Oscar, trilha original e canção (Beauty and the Beast, cantada no original pela veterana e ainda viva Angela Lansbury, mas que não deu sinal de sua graça nesta versão!). O filme também foi indicado ao Oscar de melhor filme, uma raridade para o gênero já que foi o primeiro a concorrer na até então fechada categoria! E ainda som e 2 outras canções (Belle e Be Our Guest, o autor da letra Howard Ahsman, foi mencionado postumamente). O êxito foi impressionante e ainda se deu ao luxo de ser transposto para o palco com show musical novamente com total sucesso inclusive no Brasil! E o que é mais interessante, funcionava muito bem e mereceu a aclamação.

O raciocínio deve ser este: já que deu certo duas vezes por que não uma terceira até porque passou-se tanto tempo que os que assistiram crianças hoje já podem levar seus rebentos ao cinema (mesmo que a meu ver com mais de duas horas e nove de projeção já exageram deixando os mais pequenos aflitos!). É provável que sim, porque a produção é luxuosa, quase totalmente calcada no original, só que os empregados da casa que viraram objetos agora são dublados por celebridades britânicas que depois ao final fazem uma aparição que se pretende engraçadinha (Isso vai de Emma Thompson a Ian McKellen e Ewan McGregor, até os raros americanos que são Kevin Kline como o pai de Belle, está sem energia, apático e deixou de ser alivio cômico como no palco), Stanley Tucci e um caso que a Disney anunciou como original, que é o personagem de John Gad, o parceiro e vitima do vilão Gaston, que seria o primeiro gay assumido feito pelo estúdio (que por sinal é conhecido por sua posição abertamente LBG. Se for o caso, poderiam ter escolhido um personagem mais corajoso e que não levasse tanto tempo para tomar uma posição contra o brutamontes que o controla, feito pelo galês Luke Evans, para mim o pior do elenco. Daniel Boaventura fazia muito melhor na montagem brasileira).

O mais ousado seria escolher para os papeis centrais duas figuras que não estavam acostumados ao gênero. Normalmente Emma Watson (francesa de nascimento) é uma figura discreta mas célebre como a Hermione da série Harry Potter. Sai-se bem cantando com uma voz discreta, está bem maquiada e até convence diante do britânico Dan Stevens que ficou famoso quando pediu para sair da série Downtown Abbey (onde fazia Matthew Crowley, marido da heroína) ainda no começo porque queria tentar papeis diferentes no cinema americano! Foi liberado com má vontade e desde então apareceu em diversas variantes, em geral irreconhecível. Aqui ele é ajudado por uma excelente caracterização de maquiagem da Fera que faz um tipo interessante, não exatamente feio e também por cantar a canção inédita mais marcante e provável indicada ao próximo Oscar.

Voltando ao filme, ele chega a ser até exageradamente cenografado (reparem na citação de A Noviça Rebelde e a menção corrida de Julie Andrews para a colina!), foi mesmo chamado de rococó! O Orçamento de 160 milhões de dólares não foi gasto a toa (na verdade, com frequência foram utilizados muitos efeitos especiais e CGC). Ainda assim o diretor Bill Condon é do ramo musical (ele fez Dreamgirls, escreveu o roteiro de Chicago e realizou filmes variados como Deuses e Monstros, Kinsey Vamos Falar de Sexo, e ate a Saga Crepúsculo!). O fato foi que acabei achando tudo com ar de opereta, com excesso de canções que na verdade funcionavam melhor no palco! Ainda que o ponto alto desta versão seja realmente seu figurino barroco e gótico. Na verdade,o óbvio é que a animação era melhor, mas esta imitação é razoável mas sem a mesma magia ou encanto.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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