RESENHA CRÍTICA: Golpe Duplo (Focus)
Um enorme equívoco, está na lista dos piores do ano
Golpe Duplo (Focus)
EUA, 15. 105 min. Direção e roteiro de Glenn Ficarra e John Requa. Com Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro, Gerard McRaney, Brennan Brown, Robert Taylor, Griff Furst.
Ao render menos de 19 milhões de dólares este filme voltou a comprometer a carreira de astro de Will Smith (mesmo ficando em primeiro lugar na semana). O que só deveria ensinar a Will escolher um melhor roteiro e melhores diretores. A partir do título original nada atraente (e ainda por cima é o nome de produtora de cinema, que fez aliás Os Tons de Cinza), o filme bobo, sem graça, sem suspense, com uma história mal contada e nem o nosso Rodrigo Santoro faz muita coisa, embora tenha o segundo papel masculino, um vilão latino envolvido com corridas de automóvel). Foi chamado porque havia feito outro filme da mesma dupla de diretores, Ficara e Requa (O Golpista do Ano, 09). Aliás, o primeiro longa da dupla. Vieram depois o meu favorito Amor a Toda Prova, com Steve Carrell, Julianne Moore e Emma Stone, seguido agora por Fun House, que está sendo feito agora com a mesma estrela Margot Robbie e produzido por Tina Fey. Will e Margot se reencontram neste momento gravando O Esquadrão Suicida.
Nada porém nos preparava para um filme tão desconexo, onde os diretores não tem ideia onde por a câmera, marcar os atores, dar algum sentido a história absolutamente sem sentido (parece que iria ser feito por Ben Affleck e Kristen Stewart, já pensaram que horror! Brad Pitt depois também recusou, assim como Ryan Gosling e Emma Stone, todos muitos certos em fazer isso).
Rodado em Vegas, em Buenos Aires, o filme confirma a beleza e talento de Margot Robbie, de O Lobo de Wall Street, isso mesmo sem ter um papel decente e convincente. Em meio a coadjuvantes horríveis há outra boa aparição com o antigo astro de teve Gerald McRaney (que faz o pai), que fez várias séries mal conhecidas (Simon & Simon, Designing Women, Major Dad, House of Cards, Longmire, Mike and Molly). Ainda assim nada tira este enorme equívoco da lista dos piores do ano.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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