RESENHA CRÍTICA: Antes do Inverno (Avant L´Hiver)
Um filme melancólico, onde Rubens Ewald Filho acha que o diretor Philippe Claudel já realizou trabalhos melhores que este
Antes do Inverno (Avant L´Hiver)
2013. França/Luxemburgo. 103 min. Direção e roteiro de Philippe Claudel. Com Kristin Scott Thomas, Daniel Auteuil, Leila Bekhti, Richard Berry, Vicky Krieps, Anne Metzler.
O diretor Claudel teve há pouco tempo um êxito com a mesma (e excelente) atriz inglesa radicada na França, Kristin Scott Thomas. Foi em 2008 com o drama Há Tanto Tempo Que Te Amo, onde ela fazia mulher que passou 15 anos na prisão e agora tenta se entender com a irmã que a acolheu. Ganhou o Bafta de filme estrangeiro, indicação a dois Globos de Ouro americanos, dois prêmios em Berlim (um deles o Ecumênico). O trabalho seguinte o simpático Tous lês Soleils, 11, com Stefano Accors, que não veio comercialmente ao Brasil e agora estreia a nova obra que acaba sendo uma pequena decepção. Kristin não em grande chance de brilhar e seu personagem é tão morno quanto o resultado. Parece esconder uma grande revelação, mas é uma situação pouco espetacular.
Começa numa delegacia de polícia, onde um homem é interrogado porque tentam saber como ele encontrar uma jovem. O homem conta que se encontraram pela primeira vez num bar onde ela trabalhava. Parece que ela foi uma vez sua paciente, numa operação de apendicite. Mas ela não tem qualquer cicatriz no corpo e tentam entender a situação. Auteuil faz esse grande cirurgião, com Kristin como sua esposa que cultiva o jardim. Nada parece perturbar a vida deles na floresta com muitos amigos. Mas um dia o médico recebe um buquê de rosas vermelhas e ele passa a se interessar por uma mulher que parece encontrar em toda parte.
Será um drama romântico ou um thriller psicológico ou mesmo uma historia policial? Um pouco de cada ou nada disso. Tem sem dúvida um final inesperado. Mas todo mundo é tão polido, frio, que nem dá para fazer comparações com a paisagem invernal. Um trabalho bem melancólico de um diretor que já fez melhor.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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