RESENHA CRÍTICA: Assim é a Vida (Le Sens de la Fête)
Inteligente e impagável, é uma comédia que todos deveriam assistir e aproveitar
Assim é a Vida (Le Sens de la Fête)
França, 17. 1h57min. Direção e roteiro de Olivier Nakache e Eric Toledano. Com Jean-Pierre Bacri, Jean-Paul Rouve, Gilles Lelouche, Vincent Macaigne, Eye Haydara, Suzanne Clément, Alban Ivanov, Helene Vincent, Benjamin Lavernhe.
Por pouco não cometo um erro e deixo passar em branco esta comédia francesa que é provavelmente a melhor do ano, confirmando o talento de seus autores, a mesma dupla que fez tanto sucesso com os filmes anteriores, o bem-sucedido Intocáveis (11) - que aliás já sofreu remakes mundo a afora - e o posterior Samba (14). Só que este aqui é mais profissional e elaborado, com um excelente elenco (desconhecidos para nós, mas o veterano Bacri envelheceu muito mas não perdeu a competência, enquanto Gilles Lelouche é outro que não tem vergonha de fazer comédia na dose certa).
Rodado em um castelo antigo e luxuoso, tem basicamente uma pequena falha, que é custar um pouco para começar e apresentar seus personagens. Mas desde quando embala o resultado é cada vez mais engraçado, sem virar chanchada. Ri-se muito com o desfilar destas figuras humanas e divertidas, todos eles trabalhando como empregados de uma grande festa de casamento - Bacri é o organizador - mas como tem amigos e boa alma, contrata alguns que não tem muita condição ou habilidade. Tudo vai ficando cada vez mais engraçado quando o noivo que não sabe que é um ridículo, vai fazendo exigências (Lellouche é o chefe da banda que toca na festa) culminando com uma sequência excepcional quando primeiro resolver ler um discurso e depois faz uma exibição de dança numa espécie de balão!
Cheio de complicações hilariantes o filme não deixa de ter a crítica muito divertida aos banquetes (quando a carne de um prato se revela apodrecida eles usam um truque antigo e apresentam um prato com muito sal para os convidados não perceberem!).
Inteligente e impagável, é uma comédia que todos deveriam assistir e aproveitar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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