Esquadr�o Suicida: Os Vil�es Salvam o Dia
Saiba tudo sobre as origens do novo filme baseado em HQs da DC Comics
Esquadrão Suicida: Os Vilões Salvam o Dia
Por Adilson de Carvalho Santos
Em tempos em que os heróis não são mais retratados como modelos de perfeição e que muitos valores são distorcidos nada mais natural que vilões assumam papel de destaque na preferência de fãs. No cinema, a ideia não é nova se lembramos “Os Doze Condenados” (1967) de Robert Aldrich em que um grupo de criminosos são reunidos para uma missão suicida nos idos da Segunda Guerra. Poucos sabem, inclusive, que o filme foi transformado em série de TV em 1988. Nas HQs, a mesma premissa já havia sido empregada na revista “The Brave & The Bold #25” (1959). Essa edição, que na época custou meros 10 centavos, hoje vale mais de US$ 1,000. A história de Robert Kanigher e Ross Andru não trazia nenhum supervilão, mas condenados de alta periculosidade que, em troca de sua liberdade. Liderada pelo Capitão Richard Flag Sr, o pelotão assumia missões que destacavam o teor patriótico típico dos quadrinhos de guerra publicados na época.
Quando os quadrinhos desse gênero começaram a perder espaço e popularidade, as aventuras da equipe seriam eventualmente descontinuadas. A ideia, no entanto, foi reformulada em 1986 quando a DC comics reformulou seu universo (pela primeira vez) na mega saga “Crise nas Infinitas Terras” (1985). A editora, movida por um espírito de reestruturação, publicou a minissérie “Lendas” (Legends) em que os heróis são desmoralizados publicamente e proibidos de atuarem por conta de um plano do vilão Darkseid. Os roteiristas Len Wein e John Ostrander escreveram o roteiro com desenhos de John Byrne e introduziram uma nova versão da equipe, liderada por Rick Flagg Jr e formada pelos supervilões Capitão Bumerangue, Arrasa Quarteirão, Magia, Tigre de Bronze e Pistoleiro. Sancionados em segredo por Amanda Waller, funcionária de alto escalão do governo, a equipe é reunida para lutar contra ameaças à segurança nacional durante o evento. Com o fim de “Lendas”, a equipe ganhou uma série própria publicada a partir de 1987. “Suicide Squad” (1987) começou com roteiros de John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel e durou cinco anos com tramas que mesclavam espionagem com ação fantasiosa em sequências interligadas aos demais títulos da Dc Comics. Praticamente, todos os eventos da editora tinham interligação com o título do Esquadrão como “Milênio” (1988) centrada no Lanterna Verde ou “Invasão” (1989) em que uma armada alienígena decide dominar a Terra. Os integrantes da equipe também mudariam constantemente e vários vilões seriam recrutados de acordo com a natureza das missões. O Pistoleiro (Deadshot) se tornaria um dos mais populares assumindo posição de destaque e ganhando até uma mini-série própria em 1989. A Arlequina só se juntaria ao grupo a partir do relançamento do título após o evento dos Novos 52 ,em 2013, que mais uma vez reformulou os heróis da editora.
A personagem, que ganhou enorme popularidade nos anos 90, foi criada para o desenho de TV “Batman The Animated Series” de Paul Dini e Bruce Timm. Tendo trabalhado no Arkham Asylum como psiquiatra, a Dra Harley Quinzel tratou do Coringa, mas em vez de curar a insanidade do vilão, se apaixonou por ele e enlouqueceu. Incorporada à continuidade das HQs na edição “Batman: Mad Love” em 1994, a Arlequina tornou-se nas HQs um personagem mais independente do Coringa e parte ativa de várias aventuras do grupo em tempos recentes.
O Esquadrão Suicida teve sua popularidade reacesa aparecendo no seriado “Arrow” e no jogo “Batman: Assault on Arkham”. Sua adaptação para o cinema certamente traz a equipe para o centro das atenções criando a oportunidade de criar novos fãs com uma cronologia menos complexa que no material original, mas ainda divertida ao mostrar que entre bravos e ousados, velozes e furiosos, a vilania e o heroísmo acabam sendo duas faces da mesma moeda. Nossos malvados favoritos das hqs ainda têm muito fôlego para mostrar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho � jornalista formado pela Universidade Cat�lica de Santos (UniSantos), al�m de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados cr�ticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores ve�culos comunica豫o do pa�s, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de S�o Paulo, al�m de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a d�cada de 1980). Seus guias impressos anuais s�o tidos como a melhor refer�ncia em l�ngua portuguesa sobre a s�tima arte. Rubens j� assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e � sempre requisitado para falar dos indicados na �poca da premia豫o do Oscar. Ele conta ser um dos maiores f�s da atriz Debbie Reynolds, tendo uma cole豫o particular dos filmes em que ela participou. Fez participa寤es em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para miniss�ries, incluindo as duas adapta寤es de �ramos Seis de Maria Jos� Dupr�. Ainda crian�a, come�ou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, al�m do t�tulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informa寤es. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicion�rio de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o �nico de seu g�nero no Brasil.
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