RESENHA CRÍTICA: Lucy

Com a edição rápida, movimentos de câmera explosivos, vilões convincentes, o filme funciona!

26/08/2014 13:07 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Lucy

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Lucy (Idem)

França, 2014. 89 min. Direção de Luc Besson. Com Scarlet Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Amr Waked, Julian Rhind Tutt, Pilous Asbaek, AnaLeigh Tipton. 

 

Milagres acontecem e ficam difíceis de explicar porque... É o caso deste filme Lucy, que não é americano, mas um produto da máquina europeia do diretor e roteirista Luc Besson, que faz anos tem o costume de produzir filmes de ação com atores americanos que estouram na Europa e mesmo ocasionalmente na America, como sucedeu com este filme que tinha orçamento de 40 milhões de dólares. E só nos EUA já chegou a 109 milhões (e ainda continua em cartaz), tendo rendido mais 61 milhões ma Europa, certamente tudo isso por causa do prestigio da estrela Scarlett Johansson (até o próprio Besson confessa que não gosta do filme!).  Como ele realmente é fraco, deve ser o tipo de diversão que estão procurando numa temporada fraca de fim de verão (onde quase nada funcionou). Mais que isso Scarlett principalmente depois de ter sido a viúva negra para a Marvel estava merecendo este status!

Parece que antes de Scarlett apenas Angelina Jolie chegou a se entrevistar com ele sobre a chance de fazer o papel. Por outro lado, Besson afirmou que tinha a ideia do roteiro há mais de dez anos, usando a velha ideia (hoje não mais considerava verdadeira) de que o ser humano só sabe utilizar um décimo da capacidade de seu cérebro! Rodado em Taiwan e França, este thriller rápido e eficiente, é dos raros que expande a capacidade das mulheres como estrelas de filmes de ação, já que o diretor Besson já começou a fazer isso há muito anos atrás e de forma brilhante com Nikita (que depois deu origem a serie Femme Nikita e outro longa). Ele não tem problemas que o filme seja um delírio, uma fantasia violenta porque consegue os seus desígnios. Passando por uma notável metamorfose que pode não fazer muito sentido, mas funciona muito bem. Por que será que Mr. Besson foi o único que sacou o obvio, que Scarlett estava no momento certo de sua carreira de virar estrela de ação? E convencer. As tramas nunca são muito convincentes, mas de qualquer forma, ela vai parar na China por causa de um chefão do crime, Mr. Jang que esta lançando um novo tipo de droga recreacional que ela acidentalmente ingere, que ela vira Super Scarlett!

Se não deu certo há pouco mesmo nua quando fez uma ET assassina (mas o filme era muito ruim, Sob a Pele) por outro lado funcionou bem em Don Jon (Como Não Perder Essa Mulher), rapidamente em Chef, e principalmente só com a voz em Ela.  Não é necessário mais explicações, Scarlett emerge com uma exuberante estrela, puxada para o brega, capaz de qualquer coisa e situação. Afinal descobre que a droga esta escondida dentro dela, realmente é uma mula! Mas com a edição rápida, movimentos de câmera explosivos, vilões convincentes, pequenos detalhes que foram roubados de outros cineastas (Fincher, Nolan), no que é no fundo a historia de uma mulher branca caçada por orientais. E para espanto universal funcionou. E funciona!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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