RESENHA CRÍTICA: Depois de Tudo
Um bom filme, mas com defeitos, onde o trabalho de Otavio Muller vale o ingresso, além da presença de Maria Casadevall, candidata a estrela
Depois de Tudo
Brasil, 15. 101 min. Direção de João Araujo. Com Marcelo Serrado, Otavio Muller, Maria Casadevall, Rômulo Estrela, Cesar Cardadeiro. Produção de Augusto Casé. Baseado na peça No Retrovisor de Marcelo Rubens Paiva. Roteiro de Mauro Mendonça Filho, Lusa Silvestre.
Assisti sozinho numa boa sala de cinema mais um equivoco do cinema nacional que infelizmente estraga o que é um bom filme. O difícil é descobrir isso. Eu mesmo tive dúvidas quando observei o titulo infeliz (que ao final de contas não quer dizer nada e faz pensar em comédia, assim como o cartaz dele reforça a impressão). Mas na verdade é um drama que devia se dirigir diretamente aos jovens ou aos que foram jovens nos anos 80. O que é um público arisco ao cinema nacional.
Uma pena porque é um filme muito interessante, realizado por João Araujo, homônimo do pai de Cazuza (falecido em 2013), e que parece ser mais conhecido como Johnny Araujo e foi o realizador de O Magnata (ao menos foi tudo que consegui no Google).O projeto é ratificado pelos produtores (inclui os atores Muller e Serrado, o autor Marcelo Paiva, Bruno Mazzeo e outros).
De qualquer forma, como descobrir que, por trás de tanta banalidade, existe uma história envolvente sobre dois amigos cariocas muito jovens, que desejam ser músicos e alugam um espaço que transformam em bar para shows. Ainda que gastem tudo em uísque e baseados. Na verdade, se o Brasil fosse um pais sério e tivesse um indústria de cinema pra valer, este filme seria suficiente para transformar em estrela a sensual, bela e eficiente Maria Casadevall (que estava em I Love Paraisopolis como Margot e aqui faz a garota maluquete que se liga a um dos rapazes provocando paixão no outro (Romulo Estrela, que está em Além doTempo).
O curioso é que o filme é contado em dois tempos, na atualidade quando um dos heróis se tornou funcionário de organização de projetos culturais (Otavio Muller) e outro, que ficou cego num acidente de carro (Marcelo), faz sucesso como cantor meio brega mas super paquerado por mulheres. Os dois não se viam a muito tempo quando se reencontram num hospital onde a agora adulta namoradinha deles, a junkie, é internada em estado grave. Eles então começam a lavar a roupa suja. Mas a surpresa é que antes do final toda a história sofre uma reviravolta inesperada que levanta bem o filme.
É claro que hoje em dia o cinema nosso como aliás o americano não presta atenção mais na escalação de elenco e o que tinha olho claro quando jovem podem ficar escuros quando mais velhos. Enfim, apesar disso temos um Marcelo Serrado bem mas quem dá o show mesmo é Otavio Muller, que deveria ser premiado por este trabalho incrível (ele foi melhor coadjuvante em Gramado este ano mas por outro filme. Um Homem Só). Só seu trabalho já devia garantir o ingresso.
Depois de Tudo
Brasil, 15. 101 min. Direção de João Araujo. Com Marcelo Serrado, Otavio Muller, Maria Casadevall, Rômulo Estrela, Cesar Cardadeiro. Produção de Augusto Casé. Baseado na peça No Retrovisor de Marcelo Rubens Paiva. Roteiro de Mauro Mendonça Filho, Lusa Silvestre.
Assisti sozinho numa boa sala de cinema mais um equivoco do cinema nacional que infelizmente estraga o que é um bom filme. O difícil é descobrir isso. Eu mesmo tive dúvidas quando observei o titulo infeliz (que ao final de contas não quer dizer nada e faz pensar em comédia, assim como o cartaz dele reforça a impressão). Mas na verdade é um drama que devia se dirigir diretamente aos jovens ou aos que foram jovens nos anos 80. O que é um público arisco ao cinema nacional.
Uma pena porque é um filme muito interessante, realizado por João Araujo, homônimo do pai de Cazuza (falecido em 2013), e que parece ser mais conhecido como Johnny Araujo e foi o realizador de O Magnata (ao menos foi tudo que consegui no Google).O projeto é ratificado pelos produtores (inclui os atores Muller e Serrado, o autor Marcelo Paiva, Bruno Mazzeo e outros).
De qualquer forma, como descobrir que, por trás de tanta banalidade, existe uma história envolvente sobre dois amigos cariocas muito jovens, que desejam ser músicos e alugam um espaço que transformam em bar para shows . Ainda que gastem tudo em uísque e baseados. Na verdade, se o Brasil fosse um pais sério e tivesse um indústria de cinema pra valer, este filme seria suficiente para transformar em estrela a sensual, bela e eficiente Maria Casadevall (que estava em I Love Paraisopolis como Margot e aqui faz a garota maluquete que se liga a um dos rapazes provocando paixão no outro (Romulo Estrela, que está em Além doTempo).
O curioso é que o filme é contado em dois tempos, na atualidade quando um dos heróis se tornou funcionário de organização de projetos culturais (Otavio Muller) e outro, que ficou cego num acidente de carro (Marcelo), faz sucesso como cantor meio brega mas super paquerado por mulheres. Os dois não se viam a muito tempo quando se reencontram num hospital onde a agora adulta namoradinha deles, a junkie, é internada em estado grave. Eles então começam a lavar a roupa suja. Mas a surpresa é que antes do final toda a história sofre uma reviravolta inesperada que levanta bem o filme.
É claro que hoje em dia o cinema nosso como aliás o americano não presta atenção mais na escalação de elenco e o que tinha olho claro quando jovem podem ficar escuros quando mais velhos. Enfim, apesar disso temos um Marcelo Serrado bem mas quem dá o show mesmo é Otavio Muller, que deveria ser premiado por este trabalho incrível (ele foi melhor coadjuvante em Gramado este ano mas por outro filme. Um Homem Só). Só seu trabalho já devia garantir o ingresso.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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