RESENHA CRÍTICA: A Entrega (The Drop)
É uma pena que não tenha sido exibido em nossos cinemas, este notável drama policial, com jeito de ?noir?
A Entrega (The Drop)
EUA, 14. 106 min. Direção de Michael R. Roskam. Baseaado no conto de Dennis Lehane (Animal Rescue). Com Tom Hardy, Noomi Rapace, James Gandolfini, Mathias Schoenaerts, John Ortiz, Elisabeth Rodrigues.
É uma pena que não tenha sido exibido em nossos cinemas, este notável drama policial, com jeito de “noir”, inspirado em obra de escritor famoso do gênero (baseado em conto de Lehane autor de Sobre Meninos e Lobos, Ilha do Medo). Lamentável também por ter sido o último trabalho do excelente ator James Gandolfini, da Família Soprano, e que marca a estreia no cinema americano do promissor diretor belga que havia sido indicado ao Oscar, de produção estrangeiro por Bull (de onde trás o também talentoso ator Matthias Schoenaerts de Ferrugem e Osso). Ainda por cima, ganhou prêmios de melhor roteiro em San Sebastian, ator Sant Jordi Award, menção especial em Zurich.
Todas razões suficientes para assistir este filme policial, que Gandolfini consegue tornar humano e um pouco patético. Ele seria o dono (ou quase, ou coisa que valha) de um bar do Brooklyn que é o lugar tradicional para se fazer as entregas de qualquer coisa desonesta ou fora da lei. O também ótimo Hardy (novo Mad Max) é narrador da história que nos faz conhecer melhor o lugar (ele é primo de Gandolfini) de seus frequentadores sem futuro, uma instituição bem americana com suas figuras soturnas e sem futuro. Ou simplesmente, fazer chegar aos gângsters locais o dinheiro desonesto.O problema maior é quando Bob se vê no centro de um assalto que não deu certo, onde amigos, familiares e inimigos se unem para tentar sobreviver. Destaque também para a interessante Noomi Rapace (sueca conhecida pelo original Os Homens que Não Amavam as Mulheres, como uma vizinha que tenta se livrar de cachorro e acaba interessando Hardy). O filme não custou tanto (12 milhões de dólares), nem rendeu muito (10 milhões), mas o que importa é que merece uma checada. Em especial se gosta do gênero.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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