RESENHA CRÍTICA: Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel
Provável sucesso de público, o filme dava para passar por filme de Didi e Dedé de quarenta anos atrás
Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel
Brasil, 2014. Direção de Felipe Joffely. Com Leandro Hassum, Marcos Melhem, Christine Fernandes, Marcio Vito, Adriano Garib, Ricardo Pereira,André Mattos, Augusto Pereira.
Não me lembro de outro filme ao menos recente que traga o título dos personagens de um programa da Globo, como se fosse uma aventura a mais que ira passar dentro da programação. O que me parece provável que suceda logo. Eu gosto bastante da dupla Leandro e Marcos, que conhecia do teatro (ate comprei o livro deles) e acho interessante eles fazerem alguma diferente em estilo de comédia, sem cópia do esquema que Hassum tem repetido até a exaustão.
O mais estranho porém é que ela é totalmente retrô, com citações explicitas de ninjas, James Bond (quase se toca o tema), o cofre que tem os raios infravermelhos (alias uma das cenas mais divertidas) e frases como aquela “este é o velho truque dos dois chineses”. Coisas que parecem refletir o fato de que ter sido feito por fãs de quadrinhos e filmes antigos de aventura e perseguição. Diga-se Bruno Mazzeo.
Nem tentam mesmo criar uma história mais complexa e resoluções menos óbvias. Basta colocar a dupla a correr incessantemente por ruas, vielas, pulando de paraquedas e sendo perseguida por um incompetente time de policiais (o chefe deles Deus sabe porque gosta de ficar comendo o tempo todo!) e de mafiosos portugueses (fazia anos que eu não via piadas com a burrice portuguesa! Chega a ser nostálgica!). A bela e loira Christiane Fernandes tem praticamente o único papel feminino.
Enfim, se tivessem evitado algumas piadinhas mais xulas, dava para passar por filme de Didi e Dedé de quarenta anos atrás. Se não foi essa a intenção!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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