RESENHA CRÍTICA: Ferrugem (Rust)
Um filme muito bem realizado, sincero e oportuno. No melhor sentido da palavra e que já consagra o realizador para um lugar importante nesta nova geração.
Ferrugem (Rust)
Brasil, 2018. Roteiro e Direção: Aly Muritiba. Com Giovanni Di Lorenzi, Tiffani Dopke, Enrique Diaz,Igor Augusthe, Clarissa Kirste, Duda Azevedo.
Premiado em Gramado este ano como melhor filme, roteiro do diretor Aly Muritiba e Jessica Candal, melhor Som. Ganhou no Seattle International Film Festival e participou de Sundance.Também teve três prêmios com este filme no Festival de San Sebastian.
Este promete ser o filme que deve consagrar um cineasta curitibano que fez muitos trabalhos (inclusive dirigindo o Festival internacional de cinema de sua cidade), mas ainda não era muito conhecido por aqui. Nascido em 1979, formado em História e Cinema, dirigiu nove filmes (Patio ganhou melhor curta no It´s All True e passou em Cannes e San Sebastian, 2013). Seu primeiro longa, Para Minha Amada Morta, foi premiado em Cannes, visto em Sundance e San Sebastian, e também realizou séries de TV. Porém encontrou seu lugar agora com Gramado onde o júri consagrou este filme que era ainda pouco conhecido sobre adolescentes e seus amores modernos, influenciados por celulares, onde nascem os primeiros romances e as primeiras tragédias. Num filme que fala sobre os adolescentes mas não tenho certeza que irá atraí-los para as salas. O que será um erro se o ignorarem. Claro que retrata o comportamento atual deles de forma sincera e reveladora, no que é basicamente o encontro entre Tatiana (Tifanny) que se interessa por um colega Renet (Giovanni). Mas o recurso mais curioso é quando o diretor divide a ação em duas partes, a primeira com a autodestruição da garota provocada por algumas cenas eróticas e seu dilema de não saber quem provocou esse atrevimento. Não quero expandir demais a história ate porque iria estragar um filme muito bem realizado, sincero e oportuno. No melhor sentido da palavra e que já consagra o realizador para um lugar importante nesta nova geração.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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