RESENHA CRÍTICA: As Herdeiras (Las Herederas)
Um filme modesto e humano, indicado em especial as mulheres de certa idade, que tem sido um sucesso em todo o mundo
As Herdeiras (Las Herederas)
Paraguai, Brasil, Uruguai, Alemanha, Noruega, França, 2018. 1h38min. Direção e roteiro de Marcelo Martinessi. Com Ana Brun, Margarita Irun, Ana Ivanova, Regina Duarte, Nilda Gonzalez, Maria Martins, Alicia Guerra.
Este foi o filme mais premiado do recente Festival de Gramado, onde foi vencedor como melhor roteiro, atriz (empate entre Ana Bruno, Ana Ivanona, Margarita Irun), melhor filme do júri popular, melhor direção. Um evento especial que inclui também a presença da nossa estrela Regina Duarte. Além disso, é bastante raro conseguirmos ver um filme Paraguaio com tanto êxito e repercussão. Conta basicamente a história de duas mulheres, Chela e Chiquita, que vieram de famílias ricas de Assunção, que são parceiras há mais de 30 anos. Mas com o passar do tempo a situação econômica vai piorando. E elas começam a vender tudo que possuem. Até que Chiquita vai presa por fraude e elas são obrigadas a enfrentar a realidade. A saída é servir de chofer de taxi para um grupo de outras senhoras de idade e com bastante dinheiro. Vai se virando, mas é uma mulher mais jovem (Chela) que irá ajudá-la a melhorar de situação. Um filme modesto e humano, indicado em especial as mulheres de certa idade, que tem sido um sucesso em todo o mundo (na verdade existe um público para esse tipo de projeto) até porque é muito fácil simpatizar com as atrizes e a humanidade das situações. Modesto mas sensível, é um dos raros filmes atuais que merecem serem vistos e admirados.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias