RESENHA CRÍTICA: Virei um Gato (Nine Lives)
Faz tempo que eu não via um filme tão inofensivo, basicamente uma brincadeira para crianças e apenas os fãs de gatos
Virei um Gato (Nine Lives)
EUA, 16. 87 min. Direção de Barry Sonnenfeld. Com Kevin Spacey, Robbie Amell, Jennifer Garner, Cheril Hines, Mark Consuelos, Christopher Walken, Malina Weissman, Christopher Wilding.
Esta comédia tem setenta por cento de suas imagens geradas por computador. Mas faz tempo que eu não via um filme tão inofensivo, basicamente uma brincadeira para crianças e apenas os fãs de gatos (!), tão mal recebida pela critica americana, que enlouqueceu ou se divertiu destruindo o que no fundo é uma bobagem pouco engraçado e descartável. Mas não sei se é tão insuportável assim para crianças.
Não há dúvida que é um desperdício absoluto de um ator tão talentoso quanto Kevin Spacey (ainda brilhando na série de TV House of Cards). E os críticos ficaram com raiva porque o filme não foi exibido para a Imprensa! Ele faz um antipático milionário de Manhattan que gosta de pular de paraquedas e está construindo o maior prédio da cidade, mas que se transforma num gato (a apresentação é justamente uma montagem mostrando gatinhos de vários tipos e formas). Jennifer Garner, não bastasse ter que aguentar o marido canastrão Ben Affleck e vários filhos, faz a esposa boazinha enquanto Christopher Walken (cada vez com menos voz) que justamente consegue ao menos falar com o gato Spacey. Nada ajudados pelo veterano diretor Sonnenfeld que décadas atrás fez sucessos como Men in Black e A Família Addams.
Não sei se é preciso falar mais (o herói chamado Tom Brand esquece de ir ao aniversario de 11 anos da filha porque descobre que tem um arranha céu rival em Chicago! E consegue ser ainda mais antipático e desprezível que outro recente candidata a presidência americana!). Enfim, ele vai comprar um gato do misterioso Walken, mas no caminho é atingido por um raio e vira o gato Mister Fuzzypants enquanto o corpo em coma fica no hospital. Esse não é o único problema de bom gosto ou situação apropriada para uma história/fantasia para crianças.
Enfim, perda de tempo.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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