RESENHA CRÍTICA: As Montanhas Se Separam (Shan He Gu Ren)
Um filme que altera altos e baixos, de um cineasta chinês homenageado por Walter Salles Jr em um documentário
As Montanhas Se Separam (Shan He Gu Ren)
China/França, 2015. 131 minutos. Direção de Zhang-ke Jia. Com Zhao Tao, Sylvia Chang, Zhang Yi, Jing Dong Liang e Han Sanming,
Não cheguei a assistir o documentário que Walter Salles (Central do Brasil) fez em homenagem ao diretor chinês, Zhang-Ke Jia com Jia, Zhangke, Um Homem de Fenyang (2015), um “retrato afetivo” sobre a vida do diretor. Ele realizou junto com sua esposa Zhao Tao, por sinal encantadora e eficiente (não sei porque a achei parecida com Meryl Streep). E não me entusiasmei com os outros filmes dele: Plataforma (2000), Em Busca da Vida (2006), 24 City (2008), Memórias de Xangai (2010), Um Toque de Pecado (2013).
Rodado nas proporções antigas (ou seja, o plano é quadrado no começo e visivelmente gravado com digital de pouca qualidade), o fato é que a primeira parte, com cerca de 45 minutos (só então é que entram os letreiros de apresentação) é extremamente lenta e difícil de seguir. Quando se muda a ação, a tela passa a ser em widescreen. Passa-se no final de 1999, quando Tao, uma jovem de Fenyang é disputada por dois amigos de infância, Zang e Lianzi. Zang, dono de um posto de gasolina, é ambicioso, sem escrúpulos e parece certo que ficará rico. Enquanto Liang que trabalha numa mina de carvão é tímido e logo será rejeitado. Parece lógico que Tao ficará com o mais agressivo e com quem terá o filho chamado veja só, Dollar. Liang sai da região e vai para outra mina onde se casa com outra e ficará gravemente doente. Desaparece então do filme sem muitas explicações e sem fazer falta (mas o fim do triângulo deixa o filme vazio em termos de melodrama romântico que se anunciava).
O fato que não é culpa do moço, mas o filme vai melhorando muito nessa segunda parte mais solar e romântica. Dollar virou adolescente e se rebelou contra o pai (eles agora moram na Austrália) e curiosamente ele começa um romance com sua professora de línguas, uma mulher divorciada e já madura (e por isso mais interessante). Dollar quer então reencontrar a mãe (o pai é outro que quase some do filme e a mãe também fica longo período fora de cena). De qualquer forma faz com charme a dancinha da música do Pet Shop Boys Go West!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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