RESENHA CRÍTICA: Cala a Boca Philip (Listen Up, Phillip)
O filme tem uma ousadia que pode lhe custar caro, seu protagonista é um dos personagens mais chatos da História do cinema
Cala a Boca Philip (Listen Up, Phillip)
EUA, 14. 108 min. Direção e roteiro de Alex Ross Perry. Com Jason Schwartzman, Elisabeth Moss, Jonathan Pryce, Krysten Ritter, Dree Hemingway, Eric Bogosian (narrador).
Vencedor do festival de Locarno (Prêmio Especial do Júri) este filme traz a marca Tribecca e foi feita pelo ator Alex Perry que dirigiu antes, O Circulo Cromático (11) e Impolex (09). Mas ele comete um ousadia que pode lhe custar caro, seu protagonista é um dos personagens mais chatos, mais insuportáveis da História do cinema. Câmera na mão, exagero em Closes, são já clichês do cinema atual. O original está justamente no fato do filme ter um narrador, que vai explicando mais sobre o protagonista, ou comparsas, às vezes de forma interessante. Aborrecida e chata em outras. E principalmente irregular porque no meio a voz desaparece. E temos que conviver com o Philip, o chato (no caso, a escolha de Jason, sobrinho de Coppola, é a escolha perfeita, baixinho, pretensioso, sempre infeliz e reclamando, ele tem feito uma carreira em cima dessa chatice. Mas nunca num papel tão longo quanto aqui).
Philip mora em Nova York e vive com uma namorada (Elisabeth Moss, a muito interessante atriz de Mad Men), com quem já esta em fim de caso. O primeiro livro foi sucesso, o segundo foi ignorado e ele se acha perseguido pelo mundo. As criticas são negativas e ele não sabe lidar nem com a imprensa, muito menos com seus editores, vai ficando mal criado e grosseiro, e obviamente fechando as portas. O único amigo que surge é um veterano escritor (o sempre confiável Jonathan Pryce, de Brazil) que tem paciência de conversar com ele e lhe convida para passar uma temporada de verão na modesta casa de campo dele, onde irá surgir uma também conflita filha.
Philip não é apenas um desastre socialmente, brigando com todos e sendo agressivo. É com ele mesmo a maior dificuldade, o problema porém é que fica muito difícil suportar uma figura assim. Na vida já teríamos tido uma crise, ou pior, e ido embora. Num filme ao menos podemos agradecer de estarmos experimentando tal dissabor apenas de mentirinha. No caminho de auto destruição e auto sabotagem de Philip fica pelo menos a lição de vida.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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