RESENHA CRÍTICA: Atilla Marcel
O filme tem um humor esquisito, bizarro, sem pé nem cabeça
Atilla Marcel (Idem)
Bélgica/ França, 13. 108 min. Direção de Sylvain Chomet. Com Bernadette Laffont, Guillaume Gouix, Helene Vincent, Luis Ny, Diane Le Rego. Jean Claude Dreyfuss.
Todos nós que gostam tanto dos filmes de animação premiados de Chomet, vamos nos desapontar com este primeiro longa de ficção, onde simplesmente ele não conseguiu acertar. O que antes era criativo e até poético em desenho, acabou ganhando um humor esquisito, bizarro, sem pé nem cabeça.
Ele simplesmente não consegue enquadrar direito, tentou usar uma direção de arte cafona e grotesca, mas nada funciona (nem mesmo a ideia promissora de usar em flash back que a família canta para ele quando criancinha!). Eu gostei especialmente de Bernadette Lafont, que faz a tia Annie (ela que foi musa da Nouvelle Vague, morreu em 2013, aos 74 anos). Mesmo o ator belga Guiaume não parece ter jeito para a comédia.
Ele faz um rapaz ainda crianção, meio bobinho, que é criado por duas tias já senhoras num bairro de Paris. Agora aos 33 anos ele se expressa através de ternos de corres berrantes, meio nerd chique. Seu único sonho é vencer um torneio de piano. Mas sua vida muda drasticamente quando conhece uma vizinha também de idade, Madame Proust, que desperta lembranças de sua infância. Lendo a sinopse foi que me deu vontade de assistir ao filme, para meu arrependimento. Que ele volte às animações.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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