RESENHA CRÍTICA: O Melhor Lance (The Offer/ La Migliore Offerta)

Os críticos italianos se apaixonaram por este filme que foi também sucesso de bilheteria, saudado como o melhor trabalho de Tornatore desde Cinema Paradiso

16/07/2014 16:55 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: O Melhor Lance (The Offer/ La Migliore Offerta)

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O Melhor Lance (The Offer, La Migliore Offerta)

Itália, 13. 131 min. Direção e roteiro de Giuseppe Tornatore. Com Geoffrey Rush, Sylvia Hoeks, Jim Sturgess, Donald Sutherland, Phillip Jackson, Dermot Crowley, Liya Kebede.

 

Por alguma razão misteriosa, os críticos italianos se apaixonaram por este filme que foi também sucesso de bilheteria, saudado como o melhor trabalho de Tornatore desde o que o revelou, Cinema Paradiso (88). Embora nesse meio tempo tenha feito diversos trabalhos  interessantes como Malena (2000), o ótimo A Lenda do Pianista no Mar (98), o belo e autobiográfico Baaria – a Porta do Vento (09).

Ganhou 6 Davids de Donatello (inclusive melhor filme, diretor e trilha musical, já que este filme marca novo encontro de Tornatore com seu músico habitual Ennio Morricone! Que levou também o European Film Award). 6 prêmios do Sindicato de Jornalistas. Foi rodado em Praga e grande parte dos quadros vistos no filme são realmente autenticas  obras de artistas do século 15 a 18, mas também de Goya, Modigliani, Renoir etc.

No entanto a temática, a narrativa lenta, o mistério resolvido sem grandes surpresas contribuem contra um sucesso mais amplo do filme no Brasil. Vai causar mais estranheza, certa curiosidade, mas será difícil nos identificarmos com os personagens e suas ações.  O australiano Geoffrey Rush é um excelente ator de quem temos a tendência de esquecer ou deixar de lado. Ele interpreta um expert em arte, Virgil Oldman, um já idoso e excêntrico dito gênio no tema de antiguidades e leilões. Solitário e arredio, também antipático. Ele é chamado por uma jovem e solitária herdeira Claire Ibbetson que vive reclusa e se recusa a aparecer ao vivo, fugindo de encontros que possam revelar um segredo dela.  A questão é que ela quer se livrar de uma enorme coleção de obras de arte, da mais variada e interessante. Ele se interessa pelo lote e com a ajuda de um assistente (o inglês Sturgess) também vai tropeçando em peças raras e estranhas (como partes mecânicas). Mas tudo aquilo parece esconder um segredo e uma enorme tentação de corrupção.

Agora quantos de nós nos interessamos por tal tema? Mesmo eu que tenho minhas curiosidades no ramo, acabei de desistir de levar tudo muito a sério ou esperar demais. Tornatore chegou a rodar um final no restaurante que aparece no filme, mas insatisfeito refez a conclusão, preferindo situar a ação em outro ambiente. Ou seja, além de tudo o final não é dos mais satisfatórios. Para o meu gosto, não é nem dos melhores de Tornatore. 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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