RESENHA CRÍTICA: Vic + Flo Viram um Urso (Vic + Flo ont vu um Ours)
Perturbador, o filme foi vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim do ano passado
Vic + Flo Viram um Urso (Vic + Flo ont vu um Ours)
Canada, 13. 95 min. Direção e roteiro de Denis Coté. Com Pierrette Roubitaille, Romane Bohringer, Marc- André Grondin, Marie Brassard, Georges Molnar, Olivier Aubin, Pier luc Funk.
Este foi o filme vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim do ano passado. O sexto filme de um roteirista, produtor e diretor Denis Côté (não conheço os anteriores), mas tudo indica que tem um estilo muito pessoal, com pouco diálogo, pouco humor, personagens solitários que se cruzam mas não interagem. Passa-se inteiramente numa região de florestas do Canadá, para onde vai uma mulher de meia idade, Victoria Champagne que chegou lá e foi morar na casa de um homem que diz ser seu tio (todo mundo acredita no que ela diz e depois há uma participação de um policial misterioso, o talentoso Grodin de C.R.A.Z.Y, que também não ajuda em nada a decifrar o passado dos envolvidos. Esse tio está muito doente, fica dormindo numa cadeira, sem poder falar e não demora irá morrer. Um rapaz que vive perto e se diverte fazendo voar brinquedos também nada esclarece. Felizmente surge uma mulher aparentemente em visita, chamada Florence (só agora que me dei conta fazia tempo que não via Romana Bohringer, que passou em branco em Renoir, agora volta já madura, com uma aparência de grega. Que chama dramalhão! Chama e logo ele chega.
Logo o filme surpreenda com uma sequência inesperada e muito cruel (que de certa forma relata ao título que de maneira nenhuma deve ser levada ao pé da letra). Se por um lado tem um aspecto metafísico por outro dá uma visão pessimista do ser humano, bastante instigante. Quase um conto de crianças perdidas na floresta, sem ser parecido com coisa alguma. Frio, clínico, perturbador.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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