RESENHA CRÍTICA: Meninos de Kichute

Em época de Copa do Mundo de Futebol, Rubens Ewald Filho encontrou este simpático filme

06/06/2014 15:28 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Meninos de Kichute

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Meninos de Kichute

Brasil, 09-14. Direção de Luca Amberg. Com Arlette Salles, Viviene Pasmanter, Werner Schunemann, Lucas Alexandre, Paulo Cesar Pereio, Mario Bortolotto.

Na semana da Copa, tem tudo para ser ignorado e esquecido este encantador e divertido filme que de certa maneira é sobre futebol.  E que segundo o IMDB foi feito em 2009 e deve ter passado esse tempo todo esperando oportunidade. Uma tristeza que mais gente não possa ter acesso, até pelas circunstancias peculiares da distribuição nacional.

Conhecia o diretor Luca de seu filme anterior, de 1998, Caminho dos Sonhos, que era baseado em livro do grande Moacyr Scliar, tinha os americanos Elliot Gould e Talia Shire e os jovens brasileiros Tais Araujo e Caio Blat. Era interessante, anti racista mas irregular. De lá para cá deu um enorme passo ao realizar esta historia passada nos anos 70 no interior do Brasil, numa dessas cidadezinhas muito parecidas. É a historia de uma família pobre, em que o pai crente é um pintor de paredes que tem três filhos e uma mulher paciente. O mais velho deles, ganha um par do tênis kichute que estava na moda na época e era perfeito para se jogar futebol. Apesar da oposição do pai, ele vai jogar com os amigos e aos poucos vai revelando talento. Mas esse não é bem o tema do filme como pode parecer. É mais um rito de passagem do garoto que vai ficando adolescente e contempla os absurdos do pai (Werner esta num de seus melhores momentos). Na verdade, o elenco esta ótimo. Arlete toca sanfona de peruca escura quase irreconhecível mas muito amável. Os garotos estão todos espontâneos e humanos.  E achei o filme dos mais simpáticos e bons de ver dos últimos tempos. Lamento só que poucos terão tempo de descobri-lo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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