RESENHA CRÍTICA: No Portal da Eternidade (At Eternity´s Gate)
O fato é que já houve filmes demais sobre o tema e apesar do esforço de Dafoe fica difícil tolerar seu inglês fora de hora
No Portal da Eternidade (At Eternity´s Gate)
França, EUA, 18. 1h51min. Direção de Julian Schnabel. Roteiro dele, Louise Kugelberg e Jean Claude Carriére. Com Willem Dafoe (como Vincent Van Gogh), Rupert Friend (o irmão), Oscar Isaac (Gauguin), Mads Mikkelsen ( o padre), Mathieu Almaric (Dr.Gachet),Emmanuelle Seigner (Madame Ginoux), Nils Arestrup (louco), Anne Consigny (professora), Amira Casar (Johanna Van Gogh), Vincent Perez (o diretor), Louis Garrel (voz).
Tem se consolidado o fato de que Willem Dafoe acabou se tornando um ator Cult da Academia, de tal forma que depois de ter feito mais de 100 filmes , foi indicado 4 vezes ao Oscar (sem ganhar), no caso como este aqui, além de Projeto Flórida (The Florida Project, 18), A Sombra do Vampiro (Shadow of the Vampire, 2001 e Platoon (87). Mas o filme tem problemas por ser mais uma biografia do pintor Vincent Van Gogh, rodado na França em locações que parecem reais, mas tudo fica destruído quando Dafoe começa a falar em inglês (ocasionalmente arranha alguma coisa em francês). Mas tudo fica altamente falso, aliás, os coadjuvantes também caem nesse problema, porque o elenco de amigos do diretor e escritor Schnabel são de origens diferentes. Resulta num filme extremamente amador (ainda que tenha sido rodado em lugares autênticos) e persista a força do artista (outros como Isaac são igualmente “fakes”). O fato é que já houve filmes demais sobre o tema e apesar do esforço de Dafoe fica difícil tolerar seu inglês fora de hora.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias