RESENHA CRÍTICA: Uma Noite de 12 Anos (La Noche de 12 años)

Muito elogiado pela crítica estrangeira, tenham em conta que é um filme difícil e dramático, não mera diversão

03/10/2018 23:47 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Uma Noite de 12 Anos (La Noche de 12 años)

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Uma Noite de 12 Anos (La Noche de 12 años)

Uruguai, 2018.

 Em 1973, o Uruguai foi governado por uma ditadura militar. Numa Noite de outono, 3 tupamaros são aprisionados e levados para a cadeia numa operação militar secreta. Nada será possível de se registrar ou falar com ou sobre eles. A ordem é precisa e exigente: como não podemos matá-los, vamos então levá-los à loucura. Os três homens serão obrigados a ficarem por 12 anos inteiramente solitárias. Esta é a história desde filme triste e difícil do diretor Álvaro Brechner. Uma história séria e bem produzida, o Uruguai é um país muito pequeno com poucos recursos e menos ainda dinheiro para financiar produções caras, ainda por cima revelando tramas perigosas contra o governo ditatorial.

No elenco, Antonio de La Torre, Chino Darin (filho do ator mais famoso no momento na Argentina, Ricardo Darin), Alfonso Tort, Cesar Troncoso (apesar de suai latinidade ele é hoje o mais famoso ator latino, tendo participado de novelas e filmes brasileiros, muitas vezes premiado), Soledado Villamil (também cantora e celebre atriz dramática), Silvia Cruz, Mirella Pascal, Nidia Telles. O diretor e roteirista Alvaro Brechner uruguaio mas que vive em Madrid, fez antes em 2009 “Bad Day to Go Fishing” e em 2014’s “Mr. Kaplan,” ambos uruguaios e indicados para o Oscar. Um fato curioso, Jose Pepe Mujica, um dos prisioneiros, ficou confinado por 12 anos, mas ainda assim chegou a ser presidente do Uruguai. Por isso o diretor classifica o filme como a história de sobrevivência e um thriller existencial. Um elogio ao espírito humano num filme que levou quatro anos em produção. Muito elogiado pela crítica estrangeira, tenham em conta que é um filme difícil e dramático, não mera diversão.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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