RESENHA CRÍTICA: Frantz (Idem)

Talvez não seja o melhor filme de Ozon mas o assisti com interesse

22/06/2017 18:30 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Frantz (Idem)

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Frantz (Idem)

França,16. 1h53 min. Direção de François Ozon. Com Pierre Niney, Paula Beer, Ernest Stotzner, Marie Gruber, Cyrielle Clair, Johan von Bullow, Anton von Lucke.

É sempre interessante assistir um novo filme do diretor francês Ozon, já que eles nunca se parecem (além do fato de serem quase sempre românticos e baseado em livros famosos), mas sempre são interessantes (Ozon dirigiu filmes de sucesso como Sitcom, Sob a Areia, Oito Mulheres,Dentro da Casa, Potiche, Angel, O Tempo que Resta, os mais recentes Uma Nova Amiga e Jovem e Bela (além do ainda inédito L´Amant Double).

Desta vez ele conta uma história que foi escrita como peça por Maurice Rostand (que na verdade é filha de Edmond Rostand, famoso autor de Cyrano de Bergerac), mas também na versão que fez para o cinema o lendário diretor Ernest Lubitsch 1892-1947 na Paramount, no filme chamado Broken Lullaby em 1932, também conhecido como The Man I Killed e no Brasil, Não Matarás. Foi estrelado por Lionel Barrymore, Nancy Carroll, Philips Holmes e é considerado o maior fracasso de público de sua carreira (nunca consegui assistir o filme que foi retirado do You Tube, estou tentando encontrar versão em espanhol). Naturalmente tem todos os atrativos que o diretor gosta, como o cuidado visual (ele rodou tudo em 35 milímetros colorido mas nesta versão, quando está na Alemanha e França é tudo mostrado sempre em preto e branco. Fica colorido nas cenas de lembranças em museu e na própria guerra, também na ceninha final que pode ou não ser imaginária). Mas ele fez tudo para não ficar com aparência de filme de Disney cheio de flores.

Tudo muito delicado e assumidamente de época, é muito ajudado pela escolha feliz da protagonista, uma jovem alemã que lembra um pouco Mariana Ximenes. Chama-se Paula Beer (não é cerveja, seria Bear) e segura muito bem o filme já que lhe falta um ator mais forte e conhecido para fazer o velho medico e o protagonista tem cara de gaiato, de Amigo da Onça, se alguém lembra disso...O rapaz NIney é conhecido por ter estrelado um dos filmes sobre Yves Saint Laurent e Românticos Anônimos.

A história se passa logo depois do fim de Guerra de 14-18, entre outros países, entre franceses e alemães, e numa pequena cidade alemã Quedinburg a jovem Anna tenta esquecer o noivo que morreu numa trincheira. Está vivendo com os pais do falecido e esta sendo cortejada por um homem mais velho da cidade. Mas prefere ficar sozinha ao menos até quando encontra um francês chamado Adrien, que na verdade veio se desculpar por ter matado o noivo dela, no conflito de armas em pleno fogo aberto. Aos poucos a família se abre diante do estranho, mas o problema é que aquela não era a verdade, não havia sido amigo da vítima. A história não termina aí, tem um outro final curioso, mas para não concluir desagradavelmente há uma solução romântica e possivelmente falsa. Talvez não seja o melhor filme de Ozon mas o assisti com interesse. Fritz ganhou premio de fotografia no César (e foi indicado ainda como ator, atriz revelação, roteiro adaptado, música, som, montagem, figurino, desenho de produção. Ainda diretor e filme! Teve ainda indicações importantes aos Lumière e no Louis Delluc. Ganhou como filme estrangeiro no Festival de Sedona e melhor atriz revelação no Festival de Veneza.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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