RESENHA CRÍTICA: Diplomacia (Diplomatie)
Falta brilho aos diálogos e argumentos, apenas uma lição de História, para quem possa interessar
Diplomacia (Diplomatie)
França, Alemanha, 14. 84 min. Direção de Volker Schlondorff. Com Niels Arestrup, André Dussolier, Burghart Klaussner, Robert Staudlober, Charlie Nelson.
O veterano diretor alemão Schlondorff tem ilustre carreira que inclui o premiado com o Oscar O Tambor, um começo no auge do Novo Cinema Alemão dos 60 (com o Jovem Toerless), uma passagem pela América (quando fez sua versão de A Morte do Caixeiro Viajante com Dustin Hoffman), um cargo de direção no ressuscitado estúdio de Berlim Babelsberg. Este seu filme já é uma obra menor, porque nem faz força para esconder sua origem: teatro filmado. De Cyril Geily, que também fez a adaptação.
Na verdade, para quem viu o filme Paris Está em Chamas? de René Clement não há muita novidade na história real de que Hitler, já no auge de seus delírios mandou destruir inteiramente a cidade de Paris, matando também seus habitantes. Já que não podia ser dele, não queria que fosse de ninguém mais. O responsável por isso seria o militar que controla a região, Dietrich Von Choltitz (interpretado pelo ator canadense Arestrup, hoje muito prestigiado em filmes como O Profeta, O Cavalo de Guerra, O Escafandro e a Borboleta). Quando isto é prestes a acontecer ele recebe a visita do embaixador da Suécia, vivido pelo Frances André Dussolier (Ervas Daninhas, Amar Beber e Cantar, ambos de Resnais). Este chega com a missão de impedir que a catástrofe aconteça (com a ajuda de alguns sabotadores da Resistência) ainda mais porque estão prestes a serem invadidos pelos soldados aliados, basicamente norte-americanos.
Esta produção ilustre ganhou o César de roteiro adaptado e Niels foi indicado a melhor ator. Este ganhou em Valladolid, assim como o diretor. Esta história não é tão conhecida quanto deveria e o filme não chega a fazer jus nem aos personagens, nem aos atores. O General aceita os argumentos fácil de mais (afinal todo mundo sabe do final!) e falta brilho aos diálogos e argumentos. Apenas uma lição de História, para quem possa interessar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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