RESENHA CRÍTICA: Ausência
Um filme muito especial que merecia ser descoberto
Ausência
Brasil, 15. 87 min. Direção de Chico Teixeira. Com Matheus Fagundes, Irandhir Santos, Gilda Nomacce, Thiago de Mattos, Francisca Gavillan.
Este foi o merecido filme vencedor do mais recente Festival de Gramado (trilha musical, roteiro, direção e filme) e do Rio do ano passado (ator, o garoto Matheus) e prêmio especial do Júri (o diretor). Ou seja, é um filme brasileiro que vale a pena recomendar.
O diretor Chico Teixeira que começou com documentários, impressionou muito com A Casa de Alice (07), mesmo usando atores desconhecidos, ele construiu um drama verdadeiro e humano de uma mulher muito infeliz, de classe média já caminhando na meia idade.Essa sensibilidade em retratar pessoas comuns em situações repletas de verdade, se configura neste Ausência, que parece ser mas não é exatamente um filme gay. É sobre um adolescente Serginho, que vive numa rotina de mediocridade. Cuida da mãe doente e do irmão pequeno de cinco anos, vai a escola, joga com alguns amigos ainda mais pobres que ele, Mudinho e Silvinha. Carente, ele se aproxima de um professor que parece compreensivo Ney (o sempre irrepreensível Irandhir) que a princípio parece lhe dar atenção. A situação é muito bem resolvida, de forma até poética e delicada, coisa rara de se ver no cinema brasileiro. Um filme muito especial que merecia ser descoberto.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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