RESENHA CRÍTICA: Elsa & Fred
O filme poderia ser mais engraçado, mais romântico, menos tímido
Elsa & Fred (Idem)
EUA, 14. 97 min. Direção de Michael Radford. Com Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden, James Brolin, Scott Bakula, Chris Noth, Erika Alexander, Wendell Pierce.
Por uma série de razões só agora consegui assistir esta refilmagem de um sucesso argentino de alguns anos atrás que foi alias dos primeiros filmes dedicados à Terceira Idade e trazia uma bela interpretação de uma atriz uruguaia China Zorrilla (1922-2014). Esta nova versão transposta agora para New Orleans, bem mais fotogênica do que o resto da América (ao menos tem bondes e casas) foi feita pelo inglês Radford de O Carteiro e o Poeta. Mas não fez o sucesso esperado. Sua bilheteria nos EUA foi insignificante, certamente porque não souberam vende-lo como deviam e para o público certo. Até porque o filme comete o erro de criar personagens secundários em excesso (a ponto de que os protagonistas não tem nem grande chance de mais e melhores momentos). Mas a dupla central está em forma, Christopher Plummer irascível e mal humorado como de hábito (mas velho virou grande ator) e Shirley MacLaine muito mais discreta e eficiente do que se podia esperar (como disse talvez faltem aos dois as cenas necessárias, ao menos Plummer tem um bonito plano final).
Tudo é uma variante da Velha Dama Indigna de Brecht, quando uma senhora de idade incógnita, ainda disposta a aproveitar a vida, se comporta de forma inusitada (embora aqui a única coisa mais condenável seria fugir de restaurante sem pagar a conta). Mas é possível se acreditar fácil no romance do casal porque tudo é lindamente emoldurado pela paixão que a heroína tem por Anita Ekberg e La Dolce Vita. Assim o filme é uma homenagem, para mim justamente quando ela faleceu, recriando as cenas na Fontana de Trevi (hoje é proibido então tiveram que falsear) com ela e Mastroianni. Ajudado por outros veteranos, como o que pouco aparece, George Segal, o filme poderia ser mais engraçado, mais romântico, menos tímido. Ainda assim qualquer coisa que use La Dolce Vita como moldura de love story está com o coração no lugar certo.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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