RESENHA CRÍTICA: Não se Aceitam Devoluções (No se aceptan Devoluciones)
Não se Aceitam Devoluções (No se aceptan Devoluciones)
Não se Aceitam Devoluções (No se aceptan Devoluciones)
México, 13. Direção de Eugenio Derbez. Com Eugenio Derbez, Karla Souza, Jessica Lindsey, Hugo Stiglitz, Angela Moreno.
Nunca imaginei que este filme fosse exibido no Brasil, mesmo tendo sido um grande sucesso de bilheteria dentre os mexicanos radicados nos EUA. Seria o mesmo que exportar para o México, meu Deus, não temos no momento nem equivalentes... As comedinhas brasileiras são incomparavelmente melhores. Talvez Os Trapalhões de começo de carreira, quando tentam fazer circo e imitar Chaplin, com certeza bem inferior aquele humor simplório mas muito nacional que tinha o Cantinflas e que o tornou o astro em todo o mundo, inclusive por aqui.
Este sujeito chamado Eugenio Derbez na verdade precisa ser visto para se acreditar. É daqueles que tem o rosto deformado por maquiagem, ou algo mais, e procurou fazer um tipo de humor extremamente infantil e ingênuo. Parece que é filho de uma atriz chamada Sylvia Derbez (tem 82 créditos e muitas telenovelas). Astro de musicais no palco, formado em Faculdade de Cinema, visivelmente ele se esforçou em criar um filme que parece realmente único, dos tempos dos dinossauros.
Não queria humilhar um projeto tão ambicioso, menos ainda os incautos que caíram nessa e assistiram este que é certamente dos piores de todos os tempos. Mas justamente por isso que gasto o tempo e espaço para sugerir uma ida ao cinema. Ele faz Valentin, que é playboy em Acapulco, ate quando uma ex lhe deixa na porta a menina Maggie. Se torna stuntman, dublê de cenas perigosas para poder criar a menina ate que a mãe surge para resgatá-la. O humor é pueril e o resultado delirante. Para se ver como hoje o cinema ainda consegue fazer as criaturas pirarem e se acharem artistas! Ver para crer!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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