ROBOCOP: A Hist�ria
Era o final de 1987 e surgia um novo her�i nas telas. Conhe�a a hist�ria deste personagem que tem Jos� Padilha como Diretor da nova edi豫o.
Era o final de 1987 e surgia um novo herói nas telas: meio homem, meio máquina, um tira total, conforme anunciado pelo cartaz promocional do filme. O filme foi na época um grande sucesso de bilheteria impulsionando em Hollywood a carreira de seu diretor, o holandês Paul Verhoven. O filme, que teve orçamento de US$ 13 milhões, flertava com a linguagem das histórias em quadrinhos e não escondia a influência do trabalho do artista Frank Miller em Batman, fosse pelo visual do policial robótico ou pelo uso da mídia televisa como um elemento narrativo constante e onipresente no roteiro do filme. Na história de Edward Neumeir & Michael Miner, o honesto policial Alex Murphy (Peter Weller) é morto em combate de forma desumana e cruel pelo terrível bandido Clarence Boddicker (Kurtwood Smith) e o que resta de seu corpo e cérebro é mesclado a um organismo cibernético criado pela OCP (Omni Produtos de Consumo), uma multinacional responsável pela polícia de uma Detroit futurista e violenta, na qual a segurança do cidadão é entregue a uma organização privatizada e desalmada, crítica ferrenha de um capitalismo selvagem. No filme, a consciência abalada de Murphy vai aos poucos, e com a ajuda de sua , a oficial Lewis (Nancy Allen), sobrepujando a programação recebida e recuperando as memórias de sua vida anterior, o que o levará a se rebelar contra a OCP quando descobrir a ligação entre Dick Jones (Ronny Cox) – alto oficial da empresa – e os crimes de Clarence, contra quem busca vingança. A roupa de Robocop preta e prateada, que custou entre U$ 500.000 e U$ 1 milhão, demorava horas para ser vestida por Peter Weller e era muito pesada, o que por um lado dificultava para o ator, mas por outro salientava ainda mais seus movimentos robóticos. Na cena em que o personagem sai de dentro do carro, o ator foi filmado de forma a parecer que este saía de dentro do veículo quando na verdade o ator não conseguia se sentar nele com a roupa completa.
O filme aproveita ideias já exploradas antes na literatura de ficção científica como “Cyborg”, de Martin Caidin (que foi adaptado para a TV no seriado clássico O Homem de Seis Milhões de Dólares) e nos contos de Isaac Asimov em que este desenvolveu as leis da robótica, claramente servindo de base para as 3 diretrizes de Robocop que são “Servir o público, proteger o inocente e garantir a manutenção da lei”. Contudo, muito longe de se entregar a uma discussão filosófica a respeito do que define o homem e a máquina, Robocop era um filme de ação sem a preocupação de ser politicamente correto, usando e abusando da violência explícita com um total de 30 mortos nos seus 102 minutos originais de projeção, o que o levou a ser reclassificado pelo MPAA (órgão que regula as faixas etárias estabelecidas para os filmes) 12 vezes antes de ser finalmente liberado. O filme chegou a ser indicado ao Oscar® nas categorias de melhor som e melhor montagem. Perdeu, mas ganhou o Saturn Awards, premiação voltada para os filmes do gênero fantástico.
Robocop foi marcante por empregar a tecnologia à disposição na época aliada à linguagem das HQs, que naquele final da década de 80 alcançava um forte apelo artístico e comercial em obras como a de Frank Miller, principalmente por mostrar a mídia televisiva como elemento manipulador da opinião pública. Tal afinidade e dinâmica eram tão acentuadas que o artista foi convidado a escrever o roteiro da sequência que seria lançada em 1990, sem a direção de Paul Verhoeven, que achava cedo demais para uma continuação. Tim Hunter chegou a assumir o posto de diretor, mas abandonou o projeto devido a diferenças criativas. Coube então a Irvin Kershner (diretor de O Império Contra Ataca) preparar o filme que veio a ser classificado como “impossível de ser filmado” de acordo com o roteiro original de Miller. O resultado foi uma mudança tão grande no roteiro que se tornou uma pálida imitação do primeiro trocando Clarence por um perigoso traficante que tem sua mente implantado em um robô. A bilheteria foi abaixo do esperado nos EUA (continuou oêxito no Brasil) e embora não tenha sido um grande fracasso, ficou pouco acima de seu orçamento que foi mais que o dobro do primeiro filme. Anos mais tarde o roteiro original de Miller veio a ser usado em uma HQ intitulada “Frank Miller’s Robocop”.
O 3º filme começou a ser produzido em meio a dificuldades financeiras da produtora Orion Pictures e só obteve metade do orçamento do segundo filme. Peter Weller se recusou a voltar e foi substituído por Robert Burke, enquanto Nancy Allen aceitou seu retorno com a condição de que sua personagem morresse no início do filme. A história que tratava da venda da OCP para um conglomerado Japonês teve a assinatura de Frank Miller, mas este não conseguiu elaborar uma história empolgante colocando Robocop enfrentando samurais e incluindo uma constrangedora sequência de voo do herói que em nada acrescentou. O filme foi feito em 1991, mas teve que esperar mais dois anos para chegar às telas devido aos problemas financeiros da Orion Pictures.
O personagem ainda continuou fora do cinema em duas sérias animadas, histórias em quadrinhos (incluindo um encontro entre Robocop & O Exterminador do Futuro) e um seriado de TV de 1994, novamente sem Peter Weller, com o personagem vivido por Richard Eden. O seriado teve 23 episódios e não foi além da primeira temporada, mas o personagem voltou a TV na mini-série Robocop: Prime Directive com Page Fletcher no papel principal. Contudo, o apelo original do personagem foi diluindo e ficando muito aquém daquele promissor início do filme de 1987 e que José Padilha agora tentará restabelecer junto às plateias de oje, em uma realidade em que o crime e a corrupção ainda são as grandes mazelas da sociedade (por Adilson de Carvalho Santos).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho � jornalista formado pela Universidade Cat�lica de Santos (UniSantos), al�m de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados cr�ticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores ve�culos comunica豫o do pa�s, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de S�o Paulo, al�m de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a d�cada de 1980). Seus guias impressos anuais s�o tidos como a melhor refer�ncia em l�ngua portuguesa sobre a s�tima arte. Rubens j� assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e � sempre requisitado para falar dos indicados na �poca da premia豫o do Oscar. Ele conta ser um dos maiores f�s da atriz Debbie Reynolds, tendo uma cole豫o particular dos filmes em que ela participou. Fez participa寤es em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para miniss�ries, incluindo as duas adapta寤es de �ramos Seis de Maria Jos� Dupr�. Ainda crian�a, come�ou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, al�m do t�tulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informa寤es. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicion�rio de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o �nico de seu g�nero no Brasil.
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