Lua Sangrenta
Assassino mata em série garotas em uma escola de idiomas na Espanha. O principal suspeito é um jovem de rosto desfigurado, que passa a ser seguido por uma sobrevivente que investiga o caso
Lua Sangrenta (Die säge des todes/ Bloody moon). Espanha/Alemanha, 1981, 85 min. Terror. Colorido. Dirigido por Jess Franco. Distribuição: Obras-primas do Cinema
Um bom aperitivo slasher para quem quiser conhecer a mente insana do cineasta espanhol Jesús Franco (1930–2013), lá fora Jess Franco, um dos principais realizadores do cinema trash, responsável por mais de 200 filmes do gênero, rodados em diversos países. Em “Lua sangrenta”, de 1981, fez um trabalho de destaque na extensa filmografia, um banho de sangue à moda europeia, com fartas cenas de nudez e diálogos com o incesto, dois temas que o diretor tinha fixação.
Dez anos antes os filmes de assassinos mascarados que matavam com requintes de crueldade, recheados de cenas de violência e apelo jovem, já ganhavam força na Itália (com os populares “Giallo”), e nos anos 80 invadiram os Estados Unidos. Nessa onda, Franco aproximou-se da carnificina do slasher, sintetizando-o em seu cinema puro de horror, imortalizando-o na Espanha, sua terra natal.
Assim “Lua sangrenta” resume bem as propostas do cinema mórbido de Franco, com história fácil de ser decifrada, mas cuidado com as sequências de assassinato, algumas impressionam, como a decapitação de uma mulher com uma serra (momento-chave que dá nome ao filme, em alemão, e ilustra a capa americana).
O filme sai em um box especial em homenagem ao cineasta, com o título de “Cinema Trash – Jess Franco”, que reúne outras três obras dele: “Santuário mortal” (1969), “Ela matou em êxtase” (1971) e “Vampiros lesbos” (1971), e acompanha extras imperdíveis e ainda cards com os pôsteres originais das quatro produções.
Vale experimentar essa amostra macabra para conhecer um pouco o cinema desse diretor cultuado entre os cinéfilos do trash/slasher movie, um cara que fazia um pouco de tudo na Sétima Arte - atuava, pensava a fotografia, compunha trilha sonora, produzia, editava, dirigia e escrevia o roteiro, e morreu praticamente esquecido, em 2013. Já nas lojas!
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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