RESENHA CRÍTICA: Insubstituível (Médecin de Campagne)
O filme conta uma história bem local, bem francesa e por isso conservou seu charme e clima meio caseiro
Insubstituível (Médecin de Campagne)
França, 16. 102 min. Direção de Thomas Lilti. Com François Cluzet, Marianne Denicourt, Christophe Odent, Patrick Descamps, Guy Faucher.
Não tem sido uma temporada boa para o cinema europeu e o francês em particular. Este aqui ao menos conta uma história bem local, bem francesa e por isso conservou seu charme e clima meio caseiro, previsível, sem grandes lances. Mas bastante simpático. Dizem que o diretor Thomas Lilti dirigiu três curtas mas continuou a praticar a medicina em paralelo. Nos últimos anos, fez o primeiro longa-metragem, Blindfolded (Les yeux bandés), estrelado por Guillaume Depardieu, 2008, e Hippocrates, filme de encerramento na Semana da Crítica de Cannes em 2014. Este aqui deu indicação de ator no César francês ao bom ator Cluzet (continua a ser muito parecido com o Dustin Hoffman, embora hoje já seja famoso no Brasil porque estrelou o sucesso Intocáveis!).
Sem grandes lances, conta a história do doutor Jean-Pierre, que trata os clientes do interior com a maior atenção e cuidado, ainda que não seja especialmente simpático, optando por ser uma figura paterna responsável com seu rebanho de camponeses, a quem esta sempre disponível a atender a qualquer horário da noite. Tudo caminha na rotina até quando ele descobre que tem uma doença incurável e pouco tempo de vida. Tem que procurar então um assistente e treiná-lo para que os pacientes não fiquem abandonados. Mas quem vem ajudá-lo é uma médica de pouca experiência rural, mas que se revela atenciosa e prestativa. Papel de Marianne, já uma mulher madura que já esteve em Hipócrates.
O filme é basicamente isso. Não tem surpresas. Uma comédia de costumes humana e como só cinema europeu, em particular o francês ainda sabe fazer.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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