RESENHA CRÍTICA: Conexão Escobar (The Infiltrator)
Infelizmente o filme é uma ilustração da perigosa carreira do protagonista, que brilha pela apatia e não temeridade, cercado por coadjuvantes discutíveis
Conexão Escobar (The Infiltrator)
EUA, 16. 127 min. Direção de Brad Furman. Roteiro de Ellen Sue Brown baseado em livro autobiográfico de Robert Mazur. Com Bryan Cranston, Diane Kruger, John Leguizamo, Olympia Dukakis, Amy Ryan, James Isaacs, Art Malik, Michael Paré, Benjamin Bratt.
Foram 18 produtores que se reuniram para realizar este modesto e irregular drama policial que aproveita a popularidade do veterano Cranston depois que ficou finalmente famoso com a série de TV Breaking Bad (seguido por uma série de premiações e o estrelato em biografias como Trumbo e Lyndon Johnson, Até o Fim). Mesmo esta aqui ganhou no Brasil uma referência a Escobar por causa da série Narcos, já que o legendário traficante faz apenas uma pequena aparição numa única cena!. Mas é uma história real de um agente do governo que aceita se infiltrar com os traficantes latinos de drogas, numa missão difícil e perigosa. Pena que o diretor Furman seja fraco, não é bom na construção de cenas, optou por uma fotografia pesada e sombria, em momento nenhum tem o impacto e força de um Scarface. Mesmo Cranston com seu rosto muito envelhecido não chega a convencer como o protagonista, como se estivesse desligado e pouco interessado no resultado. Simplesmente não lhe dão as cenas e falas que o tornariam mais marcantes e mesmo humano (além de ter filha e esposa, ele consegue como colaboradora a sempre bela alemã Diane Kruger, embora o filme não tenha a ousadia de mostrar um romance entre eles).
Infelizmente o filme é uma ilustração da perigosa carreira do protagonista, que brilha pela apatia e não temeridade, cercado por coadjuvantes discutíveis (sou dos que não suportam John Leguizamo que faz o parceiro dele) com raros momentos de interesse (uma boa sacada foi trazer de volta a vencedora do Oscar Olympia Dukakis, que faz a tia divertida do herói). O Orçamento foi 28 milhões de dólares e teria rendido cerca de 15 milhões! Sem dúvida, ficará melhor na TV ou no streaming.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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