RESENHA CRÍTICA: As Sufragistas (Sufragette)
O título do filme é apenas um dos muitos problemas deste filme britânico que não deu certo
As Sufragistas (Sufragette)
Inglaterra, 15. 106 min. Direção de Sarah Gavron. Com Meryl Streep, Carey Mulligan, Anne Marie Duff, Helena Bonham Carter, Ben Whishaw, Romola Garai, Samuel West, Brendan Gleeson, Adrian Schiller, Natalie Press.
Não podiam ter pensado em pior título, menos comercial, do que este As Sufragistas, uma expressão que é pouco usada e nada atraente. Mas é apenas um dos muitos problemas deste filme britânico que não deu certo. Teve criticas modestas e não rendeu mais do que 4,3 milhão de dólares nas bilheterias americanas e 11 milhões no exterior. Ou seja, é um notável fracasso que não é resgatado por Meryl Streep (que faz uma aparição rápida apenas, como a líder do movimento do voto feminino na Inglaterra mas entra correndo e sai apressada). E não tem chances para o Oscar, apesar de certa crítica gostar de Carey Mulligan (eu não gosto da moça que é uma Sally Field piorada, com cara de cachorro triste e que em nenhum momento tem garra ou presença para segurar o filme). Mas certamente a culpa do fracasso é da diretora, o que é triste neste momento em que se apoia tanto a igualdade feminina. Mas a escolhida Sarah Gravon fez um trabalho abaixo do medíocre, completamente de rotina, optando por uma fotografia escura (como está na moda). Ela tinha feito antes um drama passado em Bangladesch chamado Brick Lane (07). Mas vá se entender porque não teve capacidade de conduzir um projeto complexo e ambicioso como este, baseado em fatos reais. Mas o pior é que o roteiro também não ajuda, apesar de ser assinado por uma mulher experiente, Abi Morgan (que fez o polêmico Shame, A Dama de Ferro, o pouco visto O Nosso Segredo sobre Charles Dickens e a série de TV The Hour. Além de Brick Lane). Ou seja, um bom curriculum que não resultou aqui. De tal forma, que escolheram como protagonista uma mulher do povo fictícia (mistura de varias figuras) que trabalha lavando roupa e tratada como quase escrava, tem um filho pequeno (que tiram dela para ser dado para adoção) e um marido fraco (o Q de 007, Shishaw no seu pior dia).
O grande tema aqui pode espantar ainda as pessoas que nem sempre ouviram falar da luta sufragista na Inglaterra (vimos vários telefilmes sobre a luta nos EUA, mas que foi mais mansa do que aqui). O fato é que os ingleses machistas e empedernidos chegaram a bater em mulheres, jogando-as na prisão e agindo de forma estúpida e brutal, pelo menos pelo ponto de vista atual. Carey não tem o estofo para um personagem desses, já que o roteiro tenta mostrar como ela se conscientiza e parte para o engajamento na causa, mesmo pagando um preço tão alto. O mais absurdo de tudo é que depois de tanta briga, tanto sofrimento, o momento clímax do filme não ocorre com ela, mas com uma figura que mal tivemos tempo de conhecer (ou seja, não vamos sofrer pelo heroísmo de uma coadjuvante que nem teve destaque). Aliás, no final há uma lista de países que deram o voto feminino e o Brasil aparece como tendo adotado o voto em 1932 (é fato depois de longa campanha ainda que com restrições que só seriam eliminadas em 34. O voto não era obrigatório e tinha varias restrições, só em 46 a obrigatoriedade foi estendida as mulheres).
Embora o filme tenha sido indicado ao British Independent (atriz e coadjuvantes Anne Marie, Helena e Gleeson mas não ganhou nada), um prêmio vago em Hamptons, de público em Mill Valley, e o sem importância Hollywood Film Awards (para o compositor Desplat e Carey).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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